Mundo do trabalho na China (I)

No seu 10º aniversário, a Federação Interestadual dos Metalúrgicos (FitMetal) nos presenteou com lições que a China deixa ao mundo que trabalha, trazendo dois geógrafos especialistas no gigante asiático. Já conhecíamos Elias Jabbour* e tivemos o prazer de ouvir também Milton Pomar*.

Milton procurou de plano esclarecer o muito que há de preconceito sobre a China, visto que mundo afora muitos creditam os sucessos e dificuldades ao capitalismo ou ao socialismo, conforme a fé do comentarista. Ambas as formas de relações econômico-sociais estão presentes no país, cujo diferencial é o Estado nacional chinês.

Pomar viveu vários anos no país e testemunhou a contínua elevação da renda dos 800 milhões de trabalhadores do país em que a pobreza é hoje residual e os “baixos salários” deixaram de ser um diferencial competitivo para a atração de empresários estrangeiros. Quem transferiu sua produção do Brasil para lá sabe do que ele está falando.

Segundo o geógrafo, o Estado por lá “protege o trabalhador, regula as relações econômicas, fiscaliza as empresa, erradica a pobreza e desenvolve a economia”. Se em tempos normais são criados 9 milhões de empregos por ano, neste ano pandêmico o governo chinês “dobrou a meta” para abarcar o mesmo número de jovens formandos nas universidades locais. São 700 “PAC” em andamento pois, além do projeto nacional, as províncias e cidades também se preocupam com o futuro.

Segundo Milton, o projeto Made in China 2025 (com metas até 2049) visa tornar a China um país altamente automatizado e dotado de moderna tecnologia. Mas sem perder de vista a garantia dos direitos trabalhistas e a melhoria de vida de todos os chineses.

Concluiu o consultor internacional afirmando que a distância entre o Brasil exportador de commodities e a China está aumentando, tanto na esfera do trabalho como na acumulação de riqueza.

*Elias Jabbour é Professor da UFRJ e doutor em Geografia e autor de quatro livros sobre a China; Milton Pomar é geógrafo, professor e consultor em Relações Institucionais com o país asiático. O debate pode ser conferido na página da FitMetal.

Reproduzido no Vermelho.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

8 comentários em “Mundo do trabalho na China (I)

    1. Naquele momento. os salários e direitos trabalhistas já estavam em queda no Brasil, especialmente após a escolha de Joaquim Levy para chefiar a Economia, A China não trilhou o caminho dos “mil eikes” nem da dependência de capitais externos, caminhou com suas próprias pernas e sua própria inteligência.

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