Que gato comeu o dinheiro?

A Carta de Conjuntura do 2º Trimestre de 2020 foi recentemente divulgada pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O órgão vinculado ao Ministério da Economia traz notícia sentida de forma quantificada.

Os dados ainda não contam com o mês de maio e estimam, segundo metodologia própria, os resultados negativos de abril.

O desempenho da indústria no Brasil já era levemente negativo no quadrimestre precedente à fase aguda da crise pandêmica (nov/19 a fev/20), ainda que repondo estoques do comércio no primeiro bimestre deste ano. Tanto o comércio como a prestação de serviços mantiveram-se estáveis então.

Em março, quando a curva viral inclinou-se desfavoravelmente no meio do mês, os resultados foram em geral negativos, com exceção das vendas de comida e remédios.

Se o quadro já não era bom no período precedente, o desempenho mostrado na tabela tanto da indústria como do comércio reduziu-os praticamente à metade em dois meses, e mesmo os serviços encolheram em um terço.

Houve quem não acreditou que as mortes e a atividade econômica acelerassem em sentido contrário, por um tempo que poderia ter sido encurtado com duas medidas simples: as sanitárias, desde o instante que Ásia e Europa mostravam seus graves sintomas, e as de imediato suporte econômico tanto às pessoas e empresas como aos Estados e Municípios.

Governadores e prefeitos cuidaram em expandir suas redes de saúde e restringir a circulação nos seus territórios, ainda que muitos tenham resistido às ordens das autoridades.

Já o apoio do Governo Federal tem sido adiado ao máximo, em que pese o seu poder de emitir moeda e a plêiade de orientações dos economistas sérios sobre o que fazer, de Armínio Fraga e Henrique Meirelles a Beluzzo e Nilson Araujo de Souza.

Não há humanidade em esticar sanções presidenciais a ajuda emergencial até o último dia da quinzena de prazo para o ato, mais ainda o Congresso legislando em menos de uma semana, e menos ainda em segurar os desembolsos aos beneficiários.

Para ser justo, o Banco Central foi célere em injetar liquidez no sistema financeiro. Se aquele trilhão de reais não chegou aos agentes da economia real, é porque ficou represado nos bancos.

Reproduzido na Hora do Povo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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