Fazer planos é pré-requisito essencial para qualquer jornada rumo ao futuro. Já apresentamos o projeto da Fiesp, cujo mérito central consistia em atribuir ao Poder Público a decisão de retomada do convívio social e condicionar à evolução da curva pandêmica e a capacidade hospitalar para tratamento aos doentes a determinação do início do relaxamento.

A modulação proposta pelo Governo do Estado de São Paulo considera exatamente os dois fatores sugeridos não só pelos industriais paulistas mas também estudado internacionalmente pelos especialistas em saúde pública. A marca própria reside no conceito de regionalização da abertura comercial e o seu grau.
Em termos práticos, o que significam essas condicionantes? São Paulo coloca números para classificar as regiões do Estado que podem ampliar controladamente suas atividades econômicas e de lazer:

No Brasil, o número semanal de óbitos supera a 3 por cem mil habitantes. Ainda que no Estado de São Paulo como um todo esteja mais próximo de dois, em Santos supera a 4, com ocupação superior a 80% das UTIs da região e na capital paulista são mais de 8 mortes por cem mil e UTIs ainda mais ocupadas que na Baixada! Se são graves as situações nacional e estadual, mais distante está o início do plano nas regiões metropolitanas da Grande São Paulo e Baixada Santista.
Quando assessores ministeriais comemoram a “concentração de mortes de idosos”, pelos efeitos econômicos que trazem às contas previdenciárias, fica fácil saber porque o Presidente do Brasil é taxado de “irresponsável e perigoso” pela imprensa internacional.
Não é hora de relaxar, mas de aumentar o isolamento social, como mostram os números do Brasil. Isso e o aumento de leitos e respiradores são o único remédio eficaz disponível para tornar mais próximo o dia em que brasileiros, paulistas, paulistanos e santistas voltem a se abraçar em pessoa.
Fontes estatísticas: Uol, Seade e Prefeitura de São Paulo. Reproduzido na Hora do Povo.
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