
O professor Eleutério Prado traz em seu Economia e Complexidade o debate de uma questão própria do desenvolvimento capitalista: que se apropria dos ganhos de produtividade e em que medida. No essencial, o resultado aumenta a massa salarial dos empregados ou o capital do proprietário do negócio?
Uma discussão sobre como os capitalistas ocidentais criticam a China por manter os salários baixos para desviar a atenção da sua política neoliberal que se esforçou para manter os lucros em ascensão
Primeira rodada
A discussão começou comigo. Cansado das reclamações permanentes franco-alemãs sobre os superávits comerciais da China, escrevi o que se segue no Twitter:
“Ninguém pode levar a sério as reclamações europeias sobre a China. A China agora está construindo coisas melhores e mais baratas do que Alemanha ou França. Quando França e Alemanha construíam coisas melhores e mais baratas que outras, eles ridicularizavam essas reclamações. Agora eles estão perdendo e não estão gostando. Além disso, a Europa chegou a essa posição explorando o resto do mundo. A China não fez isso.”
A reclamação franco-alemã sobre subsídios à China, trabalhadores trabalhando muitas horas etc., me lembrou uma reclamação semelhante, mas vinda do outro lado, que ouvi muitos anos atrás na África, enquanto trabalhava para o Banco Mundial.
Os africanos também reclamaram de déficits comerciais permanentes com a Europa e, por isso, falavam sobre concorrência desleal: “Olha, os europeus têm essas máquinas sofisticadas e em uma hora produzem dez widgets. Nós, na África, temos que trabalhar dez horas para fazer a mesma coisa. Obviamente, somos subvalorizados, temos déficits comerciais permanentes e depois temos que tomar empréstimos do FMI em condições horrivelmente ruins.
Todos nós somos a favor da competição justa — mas os europeus deveriam se livrar das novas máquinas, visando competir como homens: mano a mano, de forma justa”. Obviamente, os comentários africanos foram recebidos com desdém: eles são, argumentaram os franceses e o FMI, luditas, ignorantes, inimigos da produtividade e do progresso técnico.
Mas agora, quando a situação está invertida, os europeus fazem as mesmas reclamações contra os chineses: eles deveriam – reclamam – inventar menos coisas novas, passando a pagar mais os seus trabalhadores (voltarei a esse último ponto).
A discussão segue por mais três rodadas:

Um comentário em “Como a produtividade afeta os lucros e os salários?”