Desemprego disfarçado e precarização do Trabalho

O professor de economia da UNB José Luis Oreiro e o doutor em economia aplicada Stefan Wilson D’Amata fizeram uma dobradinha para explicar no Correio Braziliense a situação do mercado de trabalho brasileiro dos dias de hoje.

Assim eles apresentam a questão:

O debate sobre o mercado de trabalho brasileiro frequentemente concentra-se nos dados da taxa de desemprego aberto, atualmente nas suas mínimas históricas, negligenciando uma dimensão estrutural mais profunda: o desemprego disfarçado. Embora a literatura convencional associe a precarização do trabalho exclusivamente às crises conjunturais, a evidência recente aponta para um fenômeno mais complexo, relacionado à própria transformação da estrutura produtiva brasileira. Em economias estruturalmente heterogêneas, como a brasileira, o avanço de formas ocupacionais mais frágeis reflete não apenas dificuldades cíclicas, mas também mudanças profundas na capacidade de geração de empregos estáveis e produtivos.

O desemprego disfarçado é definido como uma situação em que trabalhadores permanecem formalmente ocupados, mas inseridos em relações laborais marcadas por baixa estabilidade, elevada rotatividade e reduzida proteção contratual.

Para, após análise que você confere no linque abaixo, concluir:

O problema do mercado de trabalho brasileiro não reside apenas na insuficiência quantitativa de empregos, mas na crescente dificuldade de produzir ocupações de elevada qualidade. Economias mais complexas e industrialmente densas tendem a gerar relações laborais mais estáveis, maior produtividade e melhores salários, reduzindo a segmentação estrutural do mercado de trabalho. Sem uma estratégia consistente de reindustrialização, o desemprego disfarçado tende a permanecer como uma das principais expressões da dualidade estrutural brasileira.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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