Carlos Pimentel Mendes conta no Novo Milênio a história do Porto de Santos, organizado em 1892.

O relato dos historiadores permite reconstituir a feição da vila de Santos na época, trabalho aliás facilitado pela existência de inúmeras pinturas e bicos-de-pena, principalmente do pintor Benedito Calixto.
Porto modesto até meados do século XIX, e que tinha no açúcar a base principal da sua movimentação, a partir de então começou a enfrentar os problemas resultantes de um número cada vez maior de barcos que o procuravam, em virtude da riqueza cafeeira estar tomando conta das antigas áreas canavieiras, e da criação em 1867 da São Paulo Railway, ligando as zonas produtoras e a capital paulista ao litoral.
Naquela época, junto ao estuário, acompanhando a linha da preamar, alguns sobrados serviam simultaneamente de escritório e de armazém para os comerciantes; com as marés, as margens lodosas do estuário apareciam e desapareciam; troncos de árvores permaneciam amontoados à beira d’água, para uso na armação de trapiches, que facilitavam a movimentação de cargas dos navios, já que não havia condições para que os navios se aproximassem de terra sem o risco de encalhe.
No início de suas operações outro empecilho colocava em dúvida a viabilidade da empresa, já que “muitas companhias já proibiram que suas embarcações demandem tão infeccionada cidade”. Era preciso melhorar o saneamento de Santos, que contou com a obra de Saturnino de Brito para tanto.

Não se imaginava, então, que Oswaldo Cruz conseguiria sanear a cidade, como não se avaliavam também os imensos benefícios que as obras posteriormente realizadas pela Companhia Docas de Santos trariam à população local. Transformar as margens lodosas e pestilentas do estuário em faixa de cais foi o mesmo que ‘envolver a cidade por um cinturão sanitário’ (Rubens Rodrigues, historiador, 1982)
São muitas as histórias portuárias desde que a Vila de Enguaguaçu deu origem a Santos, 480 anos atrás. Algumas delas já contamos aqui, como do navio-fantasma da praia do Embaré, a chegada dos imigrantes em Santos, o carregador Jacint, o Sansão e o trabalho essencial dos portuários.

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