A correlação positiva entre a taxa de juros e a recuperação judicial

Bernardino Brito trouxe às redes sociais o gráfico histórico dos juros básicos – taxa Selic – e a quantidade de empresas que ingressaram em recuperação, curvas semelhanres, defasadas entre si por uns poucos meses.

Há duas maneiras de equilibrar a oferta e a demanda: de um lado os juros contém esta pela atratividade da poupança e a elevação dos custos das mercadorias e seus preços e, de outro, mais desejável, pode-se incentivar a produção e ofertar-se mais produtos aos consumidores que, com mais trabalho, podem incrementar a sua renda.

Bernardino Brito

Existe uma relação entre o nível da taxa Selic e a quebradeira dos empreendimentos? Seria isso só uma balela? Não! Existe sim!

Pelo gráfico vemos uma relação estreita, diríamos, de acompanhamento entre a curva da taxa Selic e os pedidos de recuperação judicial.

Qual a saída? A saída é continuar aprendendo com a experiência dos asiáticos, de não vincular de modo mecânico a taxa de juros à inflação.

Os asiáticos, que abandonaram o suicídio neoliberal, estão demonstrando que expectativa de “inflação alta” e taxa de juros não casaram na Igreja, pode ir cada um para um lado, ou um fica e outro vai, conforme o planejamento. Eles estudam a composição interna do índice inflacionário e reagem conforme o setor, expandindo ou contraindo gastos e investimentos. É intervenção estatal sim, do estado planejador.

Aqui no Brasil, interferir diretamente nos pontos sensíveis da inflação, é visto como interferência na sagrada concorrência do mercado, que causaria distorções prejudiciais.

Com esse pensamento, quando a inflação atinge o setor de alimentos, o trabalhador e sua família deve parar de comer. Se atingir os preços administrados, que fiquem sem luz ou água.

Pois é, então, não interessa ao mercado e aos especuladores interferências pontuais nos segmentos do índice inflacionário, a esses, o importante mesmo, é criar um enorme espanto no índice global, algo que assuste e coloque terror, disparando o gatilho da taxa de juros. Mesmo que o causador nada tenha a ver com a pressão da demanda interna.

As “elites” brasileiras estão acostumadas nesse jogo financeiro, e a garantia de grandes ganhos sem ter que produzir, vem da redução do orçamento social.

Bernardino Brito é Diretor do CES – Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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