Após o debate em São Paulo sobre a crise do capitalismo, foi a vez do Rio de Janeiro receber especialistas para, com mediação de Conceição Cassano, falar sobre a geopolítica em ebulição: EUA em crise, BRICS em alta e o Brasil no jogo.

O economista Elias Jabbour explicou que a contradição a ser resolvida no mundo hoje se dá entre o imperialismo e as nações com seus projetos próprios de desenvolvimento. Depois da queda do campo socialista, os países centrais ganharam fôlego, mas não evitaram o desenvolvimento desigual que lhe é peculiar, aumentando a concentração de capital.
O sinólogo entende que a quebra do regramento liberal pelo governo dos EUA é natural, dada a coerção militar e ideológica que precisa exercer para enquadrar as pessoas dentre e fora do país. Mas tem hoje a contrapartida chinesa, uma economia socialista que opera dentro da lógica capitalista e exporta valor de uso e organiza a população do seu país para estudar, inovar e viver confortavelmente. Um país em que a razão é a ferramenta principal de governo.

Se a transição econômica e tecnológica é evidente, não é o caso das searas militar e cultural, asseverou Ana Penido, especialista em relações internacionais da UERJ. Mesmo com sucessivas derrotas militares desde o Vietnã, os EUA se dão bem com a venda de armas para outros pelejarem.
Preocupada com a Defesa Nacional, Penido mostra que a ação brasileira no exterior tem divergência nas esferas militar e diplomática, com alianças de setores da nacionalidade com potências diferentes. Os interesses nacionais precisam ser defendidos, mas é oportuno um equilíbrio entre os gastos na economia e com armamentos.
É preciso firmar alianças internacionais equilibradas, ela concluiu, não sujeitas à internacional fascista que se forma à margem dos governos, afinal…
Quando dois elefantes brigam, quem sofre é a grama.

Para o cientista político, professor universitário e Secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Luis Fernandes, a unipolaridade advinda com o fim da URSS e da guerra fria não se firmou, mostrando-se apenas uma etapa das relações internacionais.
Com os fundadores dos BRICS apresentando PIB maior que EUA, Japão e Europa combinados, o enfraquecimento relativo dos Estados Unidos é patente, resultando em novo equilíbrio global. Fernandes destacou também o avanço tecnologico chinês, país que opera dentro das regras internacionais firmadas após a segunda guerra mundial, sem enfrentamento direto ao capitalismo e sem guerra fria.
Cada terra tem seu fuso, cada povo tem seu uso. O modelo brasileiro de industrialização, que se serviu também de fábricas montadoras de produtos do exterior, gerou dependência e precisa ser revertido, com a Nova Indústria Brasil plena de tecnologia avançada, sem prejuízo da cooperação internacional e sinergia de ações globais, sem necessariamente adesões formais a protocolos.
O ciclo completo de debates envolve:

5 comentários em “Mundo em transição”