Em tempos de obscurantismo e uma onda anticomunista circulando nas redes, a Escola Nacional João Amazonas dedicou o programa de 18.7.2023 ao esclarecimento da pergunta-título.
A professora convidada Analúcia Danilevitz Pereira esteve na companhia dos anfitriões, os historiadores Altair Freitas e Raul Carrion.
Há um projeto global de dominação econômica e ideológica que tem no anticomunismo uma ferramenta importante, esclareceu Analúcia, cuja aplicação no Brasil, uma economia dependente e periférica, teve mais feição de aventura. Se a socialdemocracia não conduzir reformas importantes, os riscos de sucesso da reação são consideráveis.
O comunismo, prosseguiu ela, é o movimento político da classe trabalhadora, que visa construir uma sociedade sem classes sociais em contenda. Sendo a estrutura econômica a condicionante da superestrutura de Estado, quando as forças produtivas não mais podem evoluir e entram em choque com as relações de produção, abre-se o período de substituição da forma caduca por outra nova, superior.
O socialismo é a primeira etapa do comunismo, que funciona com partido único ou hegemônico, associado ao aparelho estatal, e orienta a sociedade no seu processo de socialização: economia planejada, propriedade coletiva, diminuição das desigualdades e universalização dos cuidados sociais.
Na etapa imperialista do desenvolvimento capitalista surge a possibilidade revolucionária mesmo em países menos desenvolvidos, dada as condições ruins de vida e trabalho dos produtores.
Não há países comunistas hoje, mas alguns, como a China, o Vietnã e a Coreia, como fizeram a Rússia e a URSS, experimentam um processo socialista de passagem, que não pode ser brusco.
Sobre a experiência soviética, a professora observou que la´foi trabalhado a sociedade socialista como um modelo permanente, não como uma etapa da construção comunista. E lembrou que Lênin acrescentou ao “proletários do mundo, uni-vos”, a união dos povos contra o imperialismo.
No atual cenário global, as potências decadentes encontram na guerra uma saída para seus problemas, o que ocasiona perda de espaço para o desenvolvimento das nações menos desenvolvidas, enquanto a Rússia reemerge em razão da sua história e a China desloca o eixo bipolar para uma associação maior com os países em desenvolvimento. No caso brasileiro, concluiu Analúcia, políticas paliativas buscam acomodar a situação atual, sem um projeto de enfrentamento estrutural dos problemas nacionais, para o qual os trabalhadores, secundados pela parcela mais esclarecida da intelectualidade, podem ser os agentes da mudança.
As palavras de encerramento couberam a Altair Freitas, diretor nacional da Escola João Amazonas:
O novo projeto nacional de desenvolvimento do PCdoB trata de fortalecer a Nação, no rumo do socialismo, sob protagonismo proletário, o vetor fundamental.



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