Financeirização em economias emergentes e os bancos centrais

Em 2021, o economista e Especialista do Banco Central Juan Pablo Paincera foi ao Instituto de Economia, no Rio de Janeiro, para apresentar seu livro sobre as práticas dos BCs nos países dependentes, quando da corrente etapa de financeirização do capitalismo.

Pablo situou a predominância global da financeirização como sucessora do período de Bretton Woods. Os sistemas financeiros avançaram da intermediação da moeda entre os agentes econômicos para operações com derivativos e de financiamento, especialmente das famílias. O principal fator de acumulação de capital tornou-se, portanto, monetário.

As próprias economias do países passaram a faze-lo em forma de reservas internacionais. Nas economias dependentes, a financeirização doméstica ficou subordinada à posição subalterna na economia global.

Nos países, os bancos centrais surgiram como banco do governo e dos bancos, cuja importância deriva da preponderância da moeda na circulação financeira. Detentores das reservas internacionais, passaram a acumular um papel preponderante nas trocas entre os países.

Em regra, explicou o economista, as economias emergentes, que eram deficitárias até os anos 1990, passaram a acumular reservas, providas pelo movimento de capitais de curto prazo dos centros mais desenvolvidos.

A contrapartida à nova situação foi o crescimento da dívida pública, seja por meio da emissão de títulos do Tesouro, seja pela realização de operações compromissadas entre os Bancos Centrais e os demais agentes financeiros privados.

Ainda que em situação um pouco melhor que o período deficitário anterior, as reservas monetárias detidas pelas economias emergentes reforçaram a financeirização destas economias, em busca de acumulação de recursos financeiros não somente para remuneração dos capitais voláteis, como também para dar segurança e liquidez à retirada do principal enviado.

Para elaboração do seu livro (disponível em inglês), além da brasileira, Paincera estudou as economias da África do Sul, Índia, Indonésia, Malásia, México,Polônia, Rússia e Turquia.

Veja os diapositivos da apresentação na próxima página e assista a aula e debates em vídeo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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