A história do Brasil se escreve nas ruas de São Paulo

São Paulo, abril de 1984

Com informações do Memorial da Democracia

Talvez poucos eventos nos 469 anos da história paulistana tornem verdadeira a frase-título como a passagem da campanha das Diretas Já pela cidade.

Em 1983, um deputado estreante, Dante de Oliveira (PMDB-MT), apresentou uma emenda constitucional restabelecendo as eleições diretas já na escolha do próximo presidente da República, retirando assim esse poder do Colégio Eleitoral, que apenas sacramentava as escolhas dos altos comandos das Forças Armadas.  

Em 27 de novembro de 1983 realizou-se o primeiro comício unificado das Diretas-Já, em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com participação do PMDB, do PT e do PDT, da UNE, da CUT, da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) e da Comissão de Justiça e Paz (CJP) da Arquidiocese de São Paulo. Começou a nascer ali a coordenação suprapartidária da campanha, que contaria com a adesão de mais de 70 entidades da sociedade civil. Um milhão de folhetos foram distribuídos com as palavras de ordem que contentavam todos os organizadores: “Por eleições livres e diretas para presidente da República. Contra o arrocho e o desemprego. Fora o FMI. Contra a agressão dos Estados Unidos aos povos da América Latina”.

Nas semanas seguintes, várias cidades foram palcos de comícios de médio porte, que dariam um salto no dia 25 de Janeiro de 1984, quando uma multidão de mais de 300 mil pessoas lotou a Praça da Sé, no centro de São Paulo, em pleno aniversário da cidade.

A votação da emenda foi marcada para o dia 25 de abril e os comícios, ganhando dinâmica própria, alastraram-se por todo o país. Com a data da votação se aproximando, a comissão marcou o comício de encerramento para o dia 16 de abril em São Paulo. Um milhão e meio de pessoas ocuparam o Vale do Anhangabaú, batendo o recorde de comparecimento do Rio de uma semana antes. 

Parabéns, São Paulo, 469

Aniversários anteriores: 468 e 466 anos da pauliceia. E o Especial Toquinho de 467 anos, em São Paulo não Pode Parar.

A democracia, em São Paulo, também ocupou os palcos do TAIB.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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