No reino dos números imaginários

Sim, “em Matemática, um número imaginário é um número complexo com parte real igual a zero, ou seja, um número da forma b i, em que i é a unidade imaginária” (Wikipédia). Mas vamos nos ater ao sentido popular da expressão, em que quatro seria igual a doze.

Recente convenção do Partido Liberal, que indicou à reeleição o atual mandatário da República, não se preocupou em considerar o encontro de quatro mil delegados lotado, sendo público que a capacidade do Maracanazinho é de 11.900 pessoas.

Mas a confusão numérica não se encerra aí, como é próprio dos terraplanistas.

Sobre o Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, o valor corrigido pela inflação manteve-se razoavelmente constante, experimentando um alta de 5% no período de 2004, quando foi criado, até o início de 2021, às véspera da concessão do auxílio emergencial, que lhe derrubou o valor. “Passou de R$ 188,43 em janeiro de 2004, para R$ 197,75 no mesmo mês de 2021”, segundo demonstração da Folha de São Paulo.

Foi quando o governo propôs reduzir o valor para R$ 150,00, comutado pelo Congresso ao montante efetivamente pago de R$ 600,00. Muito antes do final da situação emergencial, como infere o recém decretado Estado de Emergência, o valor do benefício foi derrubado e o número de beneficiados cortado pela metade. Um fator determinante para devolver o Brasil ao mapa da fome.

O anúncio de algumas parcelas neste período eleitoral não permite concluir sobre a eficácia alimentar da medida, já que será estendido a pequena parte dos 33 milhões de brasileiros famintos.

Outro argumento destacado é que o Brasil está tomando medidas para conter a inflação, que teria ficado abaixo de 1% no último mês… confirmando a tendência de descumprir a meta pelo segundo ano consecutivo. A brutal transferência de recursos financeiros à banca tem dificultado a produção no Brasil; e o massivo desemprego e subemprego tem impedido muita gente de comprar mais que pele de frango e osso.

Assim, dependendo cada vez mais de importações e vendendo menos unidades dos produtos, os comerciantes só podem subir o preço para tentar fazer frente às suas despesas, cambiais e em moeda local, e expectativa de lucro.

Mas de tudo o “problema internacional” que mais impressiona pela sua falsidade, usado como “prova” de que o Brasil segue firme e tranquilo nas turbulentas águas globais, é a carência chinesa de mão-de-obra. País sete vezes mais populoso que o Brasil e quatro vezes mais densamente povoado, não parece ser o pleno emprego o obstáculo ao crescimento econômico. da maior economia do mundo, segundo a paridade do poder de compra.

Antes o contrário, a “farta” mão-de-obra desocupada no Brasil é fator determinante ao arrasto da economia local, que tem produzido o pior desempenho dos últimos lustros.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: