Elementos do setor externo da economia brasileira

Compulsando os portais do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central e o Tesouro Nacional Transparente, colecionamos um conjunto de dados que podem ser de utilidade ao analisar as relações econômicas do Brasil com o estrangeiro.

Os investimentos externos são classificados em duas categorias principais: diretos, feitos por empresas localizadas fora do país para criação ou aquisição de toda ou parte de uma empresa sediada em território nacional; e em carteira, transferências financeiras para investimentos em títulos públicos e privados de liquidez imediata, também conhecidas como “capital de motel”.

O estoque de investimento estrangeiros direto no país[1] é apurado em censo desde 1995, sendo que até 2010 a frequência era quinquenal e considerava somente os investimentos superiores a USD 10 mil.

Note-se que a variação dos saldos deriva não somente dos fluxos de entrada e saída[2] dos investimentos, mas também da apreciação e depreciação do câmbio em relação à moeda estrangeira.

Dessa forma, o aparente salto verificado entre 2005 e 2010, assim como a aparente estabilidade de estoque de IDE no decênio seguinte pode ser aproximado da realidade considerando-se o câmbio de cada um dois anos retratados. O resultado é um ingresso ligeiramente crescente da ordem de meio trilhão de dólares dos EUA por período, considerando o câmbio de 2005.

O Balanço de Pagamentos brasileiro[3] destaca uma rubrica de rendas de investimentos – diretos e em carteira – feitos no país desde o exterior.

Considerando os pagamentos de juros sobre operações intercompanhia e a remessa de lucros e dividendos das participações estrangeiras nas empresas sediadas no Brasil, o retorno dos investimentos diretos no país apresenta a seguinte dinâmica:

O endividamento externo[4] adquiriu novas características a partir do final do século passado, sendo composto hoje em 95% por títulos[5] emitidos para custear a dívida pública federal.

Segundo a Agência Brasil[6], “o estoque da Dívida Pública Federal Externa (DPFe), captada do mercado internacional, caiu 0,59% no último mês de 2021, encerrando o ano em R$ 264,72 bilhões (US$ 47,44 bilhões). O principal motivo foi a queda de 0,7% do dólar no mês passado. Desse total, R$ 228,60 bilhões (US$ 40,96 bilhões) referem-se à dívida mobiliária (em títulos no mercado internacional) e R$ 20,77 bilhões (US$ 4 bilhões), à dívida contratual (com bancos e organismos internacionais).”

O valor corresponde a cerca de 5% da dívida mobiliária da União e paga juros entre 4 e 12%, conforme a emissão.

De acordo com o noticioso oficial, quando somada à dívida pública interna de R$ 5,35 trilhões, o passivo federal alcançou ao final de 2021 a marca de pouco mais de R$ 5,6 trilhões.

Fontes

[1] Banco Central do Brasil; Relatório de Investimento Direto – dezembro de 2021 – Ano Base: 2020; Tabelas; Investimento Direto no País (IDP); Tabela 1: Investimento Direto no País – Posição; visualizado em 11.7.2022 às 18 horas;(https://www.bcb.gov.br/content/publicacoes/relatorioidp/RelatorioID2020/TabelasCompletasPosicaoIDP.xlsx)

[2] Banco Central do Brasil; Sistema Gerenciador de Séries Temporais – Módulo Público; Séries 8081 – Investimento estrangeiro direto – IED (crédito) – trimestral – US$ (milhões) e 8082 – Investimento estrangeiro direto – IED (débito) – trimestral – US$ (milhões); Visualizado em 12.7.2022 às 14 horas; (https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries)

[3] Banco Central do Brasil; tabelas especiais, Balanço de Pagamentos – BPM6, periodicidade anual; visualizado em 11.7.2022 às 18 horas;(https://www.bcb.gov.br/content/estatisticas/Documents/Tabelas_especiais/BalPagA.xlsx )

[4] Banco Central do Brasil; Sistema Gerenciador de Séries Temporais; Setor Externo; Visualizado em 13.7.2022 às 16 horas; Séries 3684 – Dívida Externa Bruta – US$ (milhões) e 3685 – Dívida Externa Líquida – US$ (milhões); (https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.domethod=prepararTelaLocalizarSeries )

[5] Tesouro Nacional Transparente; Emissões Soberanas da Dívida Pública Federal Externa; Tabela “Dívida Mobiliária Externa – Características das Emissões Voluntárias”; visualizado em 14.7.2022 às 10 horas; (https://www.tesourotransparente.gov.br/ckan/dataset/ds012 )

[6] Agência Brasil; Dívida pública fecha 2021 acima de R$ 5,6 trilhões; .; visualizado 14.7.2022 às 7 horas; (https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2022-01/divida-publica-fecha-2021-acima-de-r-56-trilhoes#:~:text=O%20estoque%20da%20D%C3%ADvida%20P%C3%BAblica,do%20d%C3%B3lar%20no%20m%C3%AAs%20passado )

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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