O desmonte do setor de energia no Brasil – Eletrobras (2)

Entrega do patrimônio público a preço vil

A Fundação Maurício Grabois, por meio da Cátedra Cláudio Campos, organizou seminário sobre o desmonte do setor de energia no Brasil e os caminhos para a sua reconstrução. A primeira mesa concentrou-se na Petrobrás, reservando-se a segunda à Eletrobrás, no dia 30.5.2022, transmitida pela TV Grabois.

A importância da Eletrobras na geração e distribuição de energia no Brasil foi vista na primeira parte deste artigo. Agora vamos à subavaliação monetária da estatal.

A estadunidense Duke Energy produz energia elétrica em quantidade semelhante à Eletrobrás e está cotada no mercado em 88 bilhões de dólares dos EUA – país que a participação estatal é superior à brasileira. A estatal se quer vender por R$ 63 bilhões, cerca de 10% do valor da concorrente de igual porte, considerado o câmbio corrente.

O valor considera tão somente 22 unidades produtoras de eletricidade. O preço é zero para a rede de distribuição, uma das mais extensas do mundo, como zero também é para as mais de cem participações acionárias da empresa integrada de energia, inclusive a de 70% da Nuclebras, setor constitucionalmente reservado à União.

As hidrelétricas integrantes do sistema incluem os reservatórios e suas áreas lindouras. A concessão de operação foi recentemente renovada por 30 anos.

Mas esse não é o único fator para o preço de “interesse de mercado”, que orienta a nova política da ainda estatal, em detrimento do antigo mote de desenvolvimento nacional e abastança barata e limpa ao consumidor.

Ainda no final do período ditatorial, o Brasil adquiriu a Light, empresa privada canadense que operava em alguns centros urbanos do país, a menos de um ano do vencimento da concessão. Mais adiante, por orientação do ex-presidente Fernando Henrique, a Eletrobras adquiriu as usinas em que o setor privado não tinha interesse, endividando-se para tanto.

Mas o mais grave é a desindexação da correção monetária dos ativos, sem contrapartida equivalente nos compromissos da empresa, registrados no lado do passivo. O valor das usinas foi contabilmente diminuído, sem que os custos de sua instalação e operação o fossem também.

Não há dúvida que os preços vão subir após a privatização. Não só porque é interesse privado a geração de lucros para os seus acionistas, no lugar do interesse público de segurança energética e seu uso para melhorar o conforto das pessoas, mas também porque o investimento que já foi cobrado nas contas de luz do consumidor o será de novo, para restituir o capital “investido” na compra. Como de hábito histórico, poucos investimentos são esperados dos candidatos a comprador, menos ainda com conteúdo local.

Se o leilão acontecer e a propriedade for transmitida, a proposta é clara: retomar a soberania energética e usar das fontes naturais de que o Brasil é dotado para desenvolver o país. Como, de resto, é de interesse dos empreendedores nacionais.

A mesa contou com a apresentação de Rosanita Campos, abertura por Nilson Araújo de Souza, moderação de Nivaldo Santana e debate entre Ildo Sauer, Roberto D’Araújo, Aurélio Valporto, Clarice Ferraz, Íkaro Chaves e Sérgio Cruz.

O desmonte da Petrobras você confere aqui.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Um comentário em “O desmonte do setor de energia no Brasil – Eletrobras (2)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: