Engenheiros discutem alta tecnologia, Embraer e soberania nacional

Sérgio Cruz, na Hora do Povo

O professor da Unicamp Marcos Barbieri, especialista em indústria aeropespacial, apontou a Embraer como exemplo do potencial da engenharia nacional e da associação do ensino com a pesquisa e o desenvolvimento

Em sua palestra, o professor Barbieri apresentou a história do setor aeroespacial brasileiro e da criação da Embraer. Ele falou das iniciativas empresariais anteriores à Embraer, estimuladas pelas mudanças ocorridas no Brasil a partir da década de 1930 e 1940, no governo Getúlio Vargas.

Barbieri avaliou que, com a subida ao poder do governo de Eurico Gaspar Dutra e o fim da guerra, há um desestímulo à continuidade dos projetos aeronáuticos no Brasil. Primeiro, porque o governo deixou de apoiar essas iniciativas e, segundo, disse Barbieri, porque, com o final da Segunda Guerra Mundial, houve sobra de aviões no mundo e eles foram vendidos a preços muito baixos e, em alguns casos, foram até doados.

Barbieri destacou a importância da genialidade de Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, e o papel do Marechal Casemiro Montenegro, pioneiro do Correio Aéreo Nacional, na criação do Instituto Tecnológico da Aeronáutica e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (CTA), instituições que foram o embrião da Embraer. Ele salientou também a importância da formação de uma inteligência nacional que viabilizou o intenso desenvolvimento tecnológico neste setor.

Após a criação do Ministério da Aeronáutica, para o qual migrou, proveniente da Aviação do Exército, o então Tenente-coronel Casimiro realiza visitas ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, nos anos de 1943 e 1944. Destas visitas nasce a intenção de criar uma instituição similar no Brasil, com o objetivo de desenvolver profissionais e tecnologia aeronáutica. “O que nós queremos é que os engenheiros brasileiros aprendam a desenvolver aeronaves”, disse ele.

Em 1969, foi criada a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) como uma corporação de propriedade do governo vinculada ao Ministério da Aeronáutica.

O professor da Unicamp frisou também que a associação entre o Estado, através da Aeronáutica, e o mercado propiciou que a Embraer se desenvolvesse, conquistasse o mercado mundial e se transformasse na terceira maior fabricante de aviões do planeta.

Ele demonstrou que, mesmo após a tentativa de destruição da empresa por parte do governo, a Embraer ressurge com força, apresentando projetos inovadores e de tecnologias disruptvas, como Turboélice, os aviões com propulsão híbrida (elétrica e combustão), os drones militares e os chamados “carros voadores”. (+381 palavras, Hora do Povo)

Nos tempos recentes, a empresa nacional de alta tecnologia foi alvo de ataques por predadores estrangeiros, desde a mal-sucedida tentativa de incorporação da Embraer à Boeing até a tentativa de acabar com a “ação de ouro” do Estado brasileiro.

Veja os diapositivos apresentados pelo professor; saiba mais sobre a Engenharia pela Democracia.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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