A origem da desigualdade, o custo do capital e a manutenção do poder

Gabriel Davi Pierin

O portal Raiz Trabalhista traz artigo do professor Gabriel, sintetizador das contradições mais importantes do Brasil de hoje. Ele explica porque “o trabalhador e o pequeno produtor têm dificuldade de empreender e ascender socialmente” e “as desigualdades se mantêm como um projeto de poder e de riqueza nas mãos de poucos”.

 Os teóricos economistas que serviram aos governos ao longo da história brasileira sempre se mantiveram afastados do verdadeiro processo econômico. A maior parte esteve próximo à gestão financeira, associada e orientada ao mercado. Para atender a sua demanda, não aprenderam a gerar riqueza, então focaram suas fórmulas no outro lado, diminuindo custos, cortando gastos, economizando riquezas.

A mudança que o Brasil precisa é através da geração e distribuição de suas riquezas. E, não existe crescimento, geração de riquezas, sem investimento. Esse investimento pode vir pela iniciativa privada da riqueza de pessoas ou pelo investimento público, advindo da riqueza de todos, por meio do Estado. Nesse caso, envolve, sobretudo, o entendimento e o exercício do conceito de nação.

É nesse momento que a velha elite econômica, detentora histórica do poder e da riqueza atua e sempre atuou. Ela é a mão que impulsiona os investimentos, mas que majoritariamente são feitos para atender seus próprios interesses, afastando a nação da riqueza e revertendo para ela própria o bônus do investimento. Além disso, ao emprestar esse recurso ao Estado ela se torna credora dele. Um credor que cobra juros e favores.

Com o aumento do endividamento interno, o Estado não consegue investir. Essa dívida vem contraída de juros e esses juros consome cada vez mais a capacidade das pessoas de entregar um pouco de suas riquezas para o bem comum, através do pagamento de impostos.

Com os custos do dinheiro (juros) mais altos do que a riqueza que ela consegue gerar, a classe trabalhadora se torna dependente do sistema. Além disso, através do poder político e com o urgente discurso de que o Estado precisa reverter essa situação, o governo e os seus economistas convencem a população de que a solução se faz pelo “corte” de gastos. E assim, o governo vai promovendo o desmantelamento das conquistas e dos direitos populares e trabalhistas. São as tais das “reformas” e dos cortes.

Por essas razões, o trabalhador e o pequeno produtor têm dificuldade de empreender e ascender socialmente. As desigualdades se mantêm como um projeto de poder e de riqueza nas mãos de poucos.

A república repete as velhas práticas oligárquicas.

Precisamos de um Estado democrático que valorize o trabalho e o pequeno produtor, como geradores de riqueza. (+351 palavras, Raiz Trabalhista)

Gabriel Davi Pierin é professor, historiador e escritor, autor de “Uma Estrela na Escuridão – A história do único brasileiro sobrevivente ao holocausto”.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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