As riquezas naturais do Brasil e a industrialização

Getúlio Vargas, Minas Gerais, 1931

Poucos meses após o triunfo revolucionário de 1930 o presidente Getúlio Vargas visitava Minas Gerais, de cujo povo se esperava extrair o minério fundamental para a industrialização do Brasil.

Na terra de Antonio Carlos e Olegário Maciel, Vargas explicou o que recebeu de seus antecessores e o esforço de primeiro momento de “economia a que nos obrigamos e dos profundos cortes nas despesas, motivados pela anarquia administrativa anteriormente dominante, e atingido, ainda, por forte desequilíbrio econômico, que se reflete no decréscimo das rendas”.

O pós-guerra possibilitou “às indústrias, pelo império da máquina, capacidade para produzir jamais atingida”. Com a superprodução, veio a crise e a dificuldade brasileira de colocar seus produtos no exterior, com sucessivos déficits comerciais e “emigração do ouro”. Além de incentivar a pesquisa dos mercados para os produtos brasileiros, o governo provisório unificava e reduzia as tarifas estaduais sobre a exportação, bem como buscava formar “o capital de um grande Banco de Crédito Agrícola, destinado a amparar a produção nacional”.

Mas o foco da ação revolucionária era resolver o problema siderúrgico. Segundo Getúlio, “idade do ferro marcará o período da sua [do Brasil] opulência econômica”.

Sob o chamamento “o ferro é Minas Gerais”, Vargas detalhava:

O ferro é fortuna, conforto, cultura e padrão, mesmo, da vida em sociedade. Por seu intermédio, abastecem-se de água as cidades e irrigam-se as lavouras. Dele se faz a máquina, e é força. Por ele se transporta a energia, florescem as indústrias, movimentam-se as usinas. Na terra, sobre fitas de aço, locomotivas potentes encurtam distâncias e aproximam regiões afastadas, que permutam, com rapidez, os seus produtos. Sobre as águas, é o navio a força propulsora que o aciona, fazendo-o singrar velozmente mares e rios. No ar, é o motor do aeroplano mantendo-o em equilíbrio e aligeirando-lhe o voo. É, finalmente, a trave do teto, o lume para o lar e, ao mesmo tempo, a arma para a defesa da Pátria.

Getúlio concluiu a sua saudação, e o tempo lhe deu razão, chamando a atenção para a “necessidade de ser nacionalizada a exploração das riquezas naturais do país, sobretudo a do ferro.”

O conjunto do pronunciamento presidencial abre o bloco II do Pensamento Nacional-desenvolvimentista: Getúlio Vargas, símbolo da emancipação nacional e dos direitos dos trabalhadores.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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