Industrialização e petróleo

Getúlio Vargas, Aeroporto Santos Dumont, novembro de 1940

Decorrida a primeira década da Revolução de 30, Vargas encontrou-se com industriais e trabalhadores no Rio de Janeiro, para prestar contas do trabalho realizado desde o início do governo. Seu pronunciamento integra o capítulo 12 do Pensamento Nacional-desenvolvimentista.

Só há uma classe em antagonismo permanente, cuja nocividade é preciso combater e reduzir ao mínimo: a dos homens que não contribuem para o engrandecimento do país, a dos ociosos, a dos parasitas.

De um quadro de desordem financeira, espontaneidade econômica e ficção eleitoral, os números decenais apontavam, entre outros, a expansão da frota naval, malha ferroviária e a duplicação das rodovias, supridas com materiais fabricados no Brasil; a multiplicação das escolas, em especial de formação profissional e superiores; os avanços na extração mineral; a superação de doenças contagiosas graves, pela ação profilática e curativa; e a multiplicação por cinco da produção nacional.

Tudo como obra de brasileiros, sem qualquer crédito externo de longo prazo, com crescimento do mercado interno e importante economia com fretes internacionais.

A proteção ao trabalho, ainda não consolidada na Lei de 1943, já era bastante abrangente. E vinha acrescida pela proteção à velhice, com institutos de pensão abarcando mais de 1,5 milhão de trabalhadores, ante um número anterior de 142 mil associados.

Longe estava ainda a homogeneidade econômica e de condições de vida no território nacional, considerando-se “as realizações já ultimadas, o grande esforço despendido para organizar a economia e tirar maior rendimento das atividades produtivas constituem apenas as premissas da obra maior que é a reconstrução nacional”.

Assim concluiu sua saudação, legando aos nossos tempos um chamamento não só não atendido, como mais distante do que era décadas atrás:

Os brasileiros, de um extremo a outro do nosso vasto território, devem sentir-se em perfeita fraternidade, unidos pelos vínculos culturais, morais e econômicos.

Quando, em todos os recantos, em todas as latitudes, cada brasileiro mobilizar as suas energias no empenho decidido de formar uma verdadeira comunidade de idioma, de sentimentos, de interesses e de ideais, poderemos exclamar com orgulho: o Brasil é uma grande e poderosa nação.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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