Superciclo de comódites e os desafios da logística no Brasil (4)

A Fundação FHC realizou interessante debate com foco em comódites e logística no Brasil. A partir do exposto nas três primeiras partes desta série, cabem algumas considerações sobre o seminário, a partir do ponto-de-vista deste autor.

Na sala de debates, registramos um par de perguntas que os convidados não tiveram a oportunidade de se pronunciar a respeito.

Ante à abundante demanda internacional por nossos produtos, e supondo que os compradores o irão transformar em outros de maior valor, inclusive para exporta-los manufaturados ao Brasil, pensamos na conveniência de vender as comódites já transformadas, ao invés de envia-las ao natural.

Do exemplo citado sobre o uso do milho na ração suína chinesa, mais vale embarcá-lo ao exterior apenas debulhado ou já transformado no alimento animal? Interessa importar um trilho de ferrovia fabricado com o minério extraído no país ou moldá-lo nas siderúrgicas pátrias, de preferência exportando, se for o caso, algum excedente?

São situações que se coadunam com a segunda pergunta: ajudaria retomar a indústria nacional para fornecer a infraestrutura não só da produção, mas também da logística relativa às comódites?

Foi lembrado pelos debatedores que o financiamento das linhas e terminais pode ser feita pela atividade do entorno, sempre consideradas as questões urbanas que a organização desses espaços demanda.

Do ponto de vista econômico e do interesse nacional, o que melhor do que industrializar a produção, agregando mais valor às mercadorias e gerando mais empregos, e, ao mesmo tempo, desenvolver indústria baseada nas necessidades da mineração, do cultivo e da movimentação de tudo isso?

Regulação estatal e planejamento, em aliança com o trabalho dos brasileiros, as armas do país para vencer os desafios apresentados e aproveitar as oportunidades de desenvolver o país.

Sentido horário: Júlio Fontana, Sergio Fausto, Frederico Bussinger e José Mendonça de Barros

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Superciclo de comódites e os desafios da logística no Brasil (4)

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