Entre a fome e a doença, Bolsonaro flerta com o “estado de sítio”

Brasil: 3% da população mundial; 9% dos casos; 11% das mortes por Covid

Neste dramático momento em que os brasileiros pagam com a vida em ritmo três vezes maior que o resto do mundo o Presidente da República reclama que governadores e prefeitos estão procurando melhorar as chances de os contaminados de seus territórios vencerem a batalha contra o vírus.

Covid-19 no Brasil e no mundo

Para as pessoas ficarem em casa, não basta proibir-lhes a circulação. É preciso prover-lhes o alimento, o que não se faz deixando dezenas de milhões de desempregados e informais sem renda mínima por já três meses em 2021. O que a medida provisória do novo auxílio prevê é um valor mensal bem menor para menos pessoas, tudo quando as UTI carecem de leitos, remédios e até oxigênio para tratar de um número cada vez maior de doentes.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é o “maior colapso sanitário e hospitalar da história”.

Faltaria dinheiro para as pessoas comprarem no comércio e o SUS aumentar as chances de todos os que precisarem encontrarem apoio na luta pela sobrevivência? Não para os juros, ilimitados ante o teto de gastos que penaliza o serviço público à população e acabaram de subir quase 40% na sua modalidade mais barata.

Faltaria conhecimento para prevenir o desastre em curso? O Brasil sempre foi modelo de produção e aplicação de vacinas – só para o coronavírus, já tem o Butantan e a Fiocruz prontas para multiplicar por dez o ritmo da imunização, fora a importação de outros fabricantes – e conta com generosos profissionais de saúde, que empenham sua vida para curar o próximo.

A Volkswagen, após acerto com os sindicatos dos metalúrgicos das cidades onde está instalada, suspendeu suas atividades por duas semanas, com vista em preservar a saúde de seus 15 mil empregados e seus familiares. Louvável iniciativa de apoio ao lockdown, mas que nem todas as empresas podem fazer sem apoio governamental.

Falta ajuda estatal a pessoas e empresas para superar a pandemia, faltam vacinas e tratamento aos doentes.

Faltaria então o Estado de Sítio? Não, ao que parece falta ao Exmo. Sr. Presidente da República cumprir com o que prometeu: defender os brasileiros, cuja vida está sob risco. E lhe falta coração.

#VacinaJá

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Entre a fome e a doença, Bolsonaro flerta com o “estado de sítio”

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