A resposta das urnas às crises econômica e sanitária

O jornalista Osvaldo Bertolino trouxe à sua Roda de Conversa o doutor em Economia Nilson Araújo de Souza, para avaliar os efeitos do bolsonarismo sobre a presente crise econômica e sanitária brasileira. Também participou da conversa Jorge Gregory, de Brasília.

A derrota generalizada no conjunto das maiores cidades dos candidatos mais próximos do Presidente da República foi patente. Sem vitória nas capitais, somente dois pretendentes da espécie foram levados ao segundo turno, com prognósticos claramente favoráveis aos candidatos comprometidos com a Democracia. Em muitas praças, como São Paulo, Porto Alegre e Belém, as alternativas integram a ampla frente de forças em defesa da vida e do Brasil.

Quando do início da pandemia o caráter depressivo da crise já dava seus sinais, mas a desorientação de Bolsonaro e Guedes fez as coisas piores do que poderiam ser. Sim, no terceiro trimestre houve recuperação econômica, em parte devida ao auxílio emergencial bastante majorado pelo Congresso Nacional, em parte porque as pessoas desorganizadamente saíram para trabalhar, aumentando a produção e a circulação de mercadorias.

Mas a segunda onda – em Curitiba se noticia ocupação de 80% dos leitos hospitalares – vai exigir novo isolamento social. E o orçamento público projeta, na contra mão do mundo, uma redução de 8 pontos percentuais do PIB no gasto público ano que vem (28% para 20% de gasto primário).

Como enfrentar essa situação, que em agosto apontava desemprego superior a 20% da população economicamente ativa?

Nilson aponta duas questões centrais, cuja solução parece depender mais do Congresso Nacional do que do Executivo federal, instância natural de iniciativa em matéria econômica:

  1. Manter as pessoas vivas mediante a vigilância epidemiológica, conquista da ciência que permite o isolamento seletivo, enquanto a vacina não vem; e
  2. Emissão monetária, em lugar de instrumentos de dívida, para ampliar a ajuda emergencial e os gastos e investimentos públicos necessários à retomada da economia.

São movimentos que dependem de forte pressão social, que passa também por completar a vitória do campo democrático no segundo turno, mas não só.

Como frisou Araújo, na crise os ricos ficaram ainda mais ricos e, no Brasil, quase isentos de tributos. A reforma tributária solidária também ajuda a fortalecer o caixa do Estado, em benefício de toda a sociedade.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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