Thiago Andrade: um filho da Ilha Encantada fazendo história

Thiago Andrade é santista do Marapé, de família portuária, produtor de eventos e graduando em Gestão Pública.

E hoje completa 35 anos! Como presente à cidade que o viu crescer, concedeu entrevista a este blogue. Espero que curtam a festa, a cidade e o aniversariante do dia.

Conte um pouco da sua trajetória até aqui.

Meu primeiro contato com a política se deu em 1998, na escola em que estudava e onde fui eleito presidente do grêmio, numa eleição organizada por jovens do movimento estudantil, ligados União da Juventude Socialista.

Em 2001, quando completei 16 anos, corri pra tirar meu título de eleitor e me filiar ao PCdoB. No partido, a saudosa Lilian Martins, presidente do partido na cidade e uma figura incrível, recebeu-me de braços abertos. Ela era especialmente dedicada e atenta à formação de novos quadros.

Em 2003 fui eleito presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Santos, ocasião em que conseguimos barrar o aumento da passagem de ônibus, já abusivo na época. Dois anos depois, assumi a presidência da histórica UPES, a União Paulista que representa os estudantes secundaristas de todo o Estado de São Paulo. Essa tarefa me transformou profundamente, sedimentou valores e me fez conhecer todas as regiões do nosso estado.

Quando sai da UPES cumpri muitas tarefas na UJS, presidi essa organização no estado de São Paulo e fui membro de sua Executiva Nacional por muitos anos.

Tive uma breve, mas muito significativa, passagem pela Prefeitura de São Paulo, na prefeitura regional Sé, região central com mais de 430 mil habitantes e milhões que circulam por lá diariamente. Nesse período tive a oportunidade de coordenar a primeira eleição do Conselho Participativo Municipal, ocasião na qual o entrevistador, Iso Sendacz, foi eleito conselheiro pelo Bom Retiro.

Com Thalita Andrade

Trabalhei ativamente do processo de ocupação social e cultural do centro de São Paulo, em especial de uma de suas praças mais simbólicas e efervescentes, a Praça Roosevelt.

Em 2016, de volta à Santos, participei da campanha a prefeita da Carina Vitral e em 2017 fui eleito presidente do PCdoB em Santos e agora sou pré-candidato a prefeito de Santos.

Qual é o seu projeto de vida?

Pretendo me formar o ano que vem e me dedicar ao estudo de políticas públicas capazes de transformar as nossas cidades em espaços onde a oportunidades estejam ao alcance de todos e todas.

Meu projeto de vida é estudar, trabalhar e tentar ser feliz carregando o menos possível de bagagem, assim como diz o ex Presidente Mujica. Desejo uma vida simples, perto das pessoas queridas e perto das lutas da nossa gente.

Bodas com Nicoly Mendes (2017)

Espero contribuir pra que a nossa Santos seja menos desigual, que seja Uma Só Santos.

Como você vê a cidade daqui a 20 anos?

A cidade que enxergo daqui 20 anos é uma cidade mais equilibrada, capaz de gerar oportunidades para que os santistas desenvolvam suas vidas e seus talentos aqui na nossa terra, sem ter de sair daqui atrás de melhores oportunidades.

Enxergo uma cidade desenvolvida, gerando empregos de qualidade, com as potencialidades de quem vive a beira do maior porto da América Latina e de frente pra umas das maiores bacias de petróleo do mundo; enxergo uma cidade mais justa com todos que aqui vivem e trabalham, com um custo de vida mais razoável.

Vejo uma cidade com moradias dignas para quem ainda se vê obrigado a viver sem a básica condição sanitária ou em áreas de risco, diferente do que aconteceu no começo desse ano, quando santistas perderam a vida no deslizamento de nossos morros, essa é uma tarefa inadiável, pra já, mas cujos reflexos, em 20 anos, serão sentidos por todos que vivem em Santos.

E o que precisamos fazer para chegar lá?

Precisamos repensar as prioridades. O foco da gestão pública precisa ser a qualidade de vida de TODOS OS SANTISTAS. O manejo orçamentário, a aplicação de políticas públicas precisa ter essa diretriz como centro.

Precisamos juntar a inteligência técnica, política e humana e colocá-la a serviço de um projeto de cidade que enfrente os gargalos essenciais, que prepare a cidade para uma nova fase – mais justa e menos desigual.

Essa história de que Santos é uma cidade pronta acomodou nosso empresariado e o poder público, governo não é só pra zeladoria, é pra tomar providências que recoloquem a cidade no rumo do desenvolvimento econômico e social.

Dá para fazer sozinho?

Não. É preciso articular todos os atores políticos, empresariais e sociais no sentido de resolver os problemas de agora e abrindo caminho pra um futuro de mais prosperidade.

Santos é, de certa forma, a capital da região metropolitana da Baixada Santista. Nossa região é integrada geográfica e culturalmente, mas do ponto de vista econômico e social são muitas as disparidades.

Todos os dias circulam pelas 9 cidades baixada gente de toda a parte, o gargalo da mobilidade urbana, que tinha na instalação do VLT uma expectativa de maior integração, foi mais uma vez frustrado pelo preço da passagem e pelo trecho que ainda não saiu do papel.

Precisamos pensar, em conjunto, soluções inteligentes e integradas pra questão da mobilidade urbana, pra facilitar a vida de quem estuda e trabalha numa cidade e mora na outra.

O exemplo da questão mobilidade é muito simbólico mas existem outros tantos, como por exemplo, a falta de articulação dos prefeitos da região em recuperar, estruturar e valorizar o Hospital Guilherme Álvaro, que é um equipamento do governo do estado que atende a toda a baixada santista.

Os desafios são muitos, integrar a nossa região com inteligência e articulação dos governos é uma exigência desse nosso tempo.

Na boa pessoa de Thiago Andrade, agradecemos o presente da vida e desejamos muitos e felizes anos a todos os aniversariantes de hoje, no rumo a Uma só Santos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Thiago Andrade: um filho da Ilha Encantada fazendo história

  1. O que você acha da radical democracia onde o povo tem o Poder Supremo nos destinos da nação decidindo seu destino sem interferência do Estado.
    Ou é a favor do Estado forte onde o estado detém o poder e a tutela do Cidadão miserável …. frente aos Palácios dos líderes socialistas

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    1. Acho que chegará a hora em que o Estado se fará desnecessário à convivência humana, imperará a consciência nas relações entre as pessoas. Mas até lá ele cumpre a função a que foi designado pelos Homens, a de limitar a ação deletéria de alguns que prejudicam o todo. Por exemplo, conter um larápio é função de Estado. Imaginando a pergunta como sobre contradições de classe entre o proletariado e a burguesia, hoje o Estado, de certo modo, faz o que você abomina: tutela o despossuído não para que seja miserável, mas para que reproduza a sua força de trabalho e, com ela, reproduza o capital. Se a lógica inverter, o proletariado assumir o poder, por um tempo, até que uma nova ordem se estabeleça – por exemplo a radical democracia -, um novo Estado terá por função conter os desejos, e mais imediatamente as ações, de quem lhe queira feri-la.

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