O conforto das pessoas é o signo do desenvolvimento

O Centro Celso Furtado tem conduzido debates comemorativos do centenário de nascimento do economista. A marcha a ré que o Brasil engatou nos últimos sete anos exige revisitar a teoria furtadiana para entender e agir na superação do subdesenvolvimento brasileiro.

Os convidados de quarta-feira esclareceram que Celso Furtado foi, antes de tudo, um otimista em relação à capacidade de o Brasil superar o subdesenvolvimento e aliou sua erudição e elevado caráter à política para, na prática, ajudar o país a se tornar independente e sair da condição de satélite periférico da economia mundial.

Os acadêmicos do debate da véspera já haviam esclarecido várias das condicionantes da formação histórica nacional que levaram a manter, ainda hoje, um país que é recordista em exportação de grãos, mas que alimenta mal parcela gigante da sua população.

A periferia da periferia

E por que isso acontece? A renda per capita de uma economia agrária é bastante inferior à daquelas que se industrializaram; no mesmo sentido, a absorção da nova técnica no campo cria um excedente de mão-de-obra, cujo aproveitamento precisa ser exatamente na indústria. As pessoas passam então a ser mais produtivas e com capacidade maior de consumir o que produzem, dando início ao ciclo virtuoso de desenvolvimento.

A internacionalização da economia, já observada por Furtado no século passado, faz com que o centro de decisão de alocação do excedente de produção – o capital acumulado – seja deslocado para as economias centrais, mormente inclusive para firmas privadas sem nacionalidade muito clara, impedindo o planejamento efetivo da superação do subdesenvolvimento.

À falta de acesso à tecnologia pelos trabalhadores brasileiros soma-se a penúria ambiental da pobreza, tema que também foi da preocupação de Furtado. Além do fosso social, aprofunda-se o risco de o próprio planeta e a vida não subsistirem ao modelo vigente.

O que fazer?

A lição nº 1 trazida pelos acadêmicos é centralizar o planejamento das relações humanas entre os brasileiros e sua plena inclusão na produção, baseada na melhor técnica. Retomar o papel do Estado de indutor do desenvolvimento nacional. É assim, tomando o controle da própria vida e incluindo as pessoas na equação econômica, que podemos resgatar o sonho de Tiradentes e fazer deste imenso país uma grande Nação, rica e desenvolvida.

O diretor-executivo do Centro Celso Furtado, Glauber Carvalho, trouxe à mesa os professores Maurício Coutinho, Oswaldo Munteal e Carmen Feijó, autora das ilustrações deste artigo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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