Eugenia ao cubo

Entre as mais abjetas forma de pensamento que grassaram pelas mentes brasileiras certamente a eugenia ocupou um dos primeiros lugares. A seleção nada natural que se servia de câmaras de gás para “eliminar os mais fracos” teve seus adeptos no Brasil de um século atrás.

Além do movimento que imitava as ideias que nasciam na Alemanha, França e EUA, houve na primeira metade do século 20 uma certa Liga Brasileira de Higiene Mental, que funcionou entre 1914 e 1945, não por coincidência os anos de início da primeira e fim da segunda guerra mundial.

Os acadêmicos Durval Wanderbroock Junior e Maria Lucia Boarini dissertaram a respeito, destacando entre as finalidade institucionais da Liga era a de “submeter o país a um intenso processo de ‘depuração social’, que consistia na separação de indivíduos superiores e inferiores, em termos de habilidades mentais e aptidões”.

A Liga propugnava ainda que uma “nação saudável” era aquela livre de “indivíduos considerados degenerados, menos evoluídos, anormais ou inferiores”. Eugenizada, como era o modo de governar nazi-fascista.

Adotamos aqui a expressão “eugenia” para não confundir com o outro ramo que derivou do higienismo, o sanitarismo de Oswaldo Cruz e Saturnino de Brito, obra social de alcance universal para todos os brasileiros e exemplo para o mundo civilizado.

A história se repete no Brasil

O isolamento social do moderno higienismo brasileiro – não foi assim na gripe suína – relega os cidadãos a sobreviver de acordo com as suas condições individuais ou familiares. Os mais desassistidos pela proteção pública, que não tiveram acesso à educação ou moradia com saneamento adequado, ficam por evidente mais vulneráveis.

Mas o problema dobra de tamanho quando as medidas oficiais, além de procurar impedir medidas locais de assistência às pessoas, procuram suprimir parte significativa das rendas de quem trabalha, dificultando-lhes a sobrevivência em um tempo que estão em casa por um dever social. As expectativas de crescimento do desemprego e redução da produção somam-se ao caráter eugenista da proposta do Executivo federal.

E porque intitulamos o artigo “ao cubo”?

Os setores mais retrógrados do lumpesinato brasileiro, por isso mesmo mais próximos da familícia presidencial, animam-se em provocar uma guerra com a China. Para mandar os filhos dos outros para o front, sem lá estar na linha de fogo.

Não é demais lembrar do Benfam, aquela triste iniciativa da ex-primeira dama paulista Sylvia Maluf de tentar esterilizar boa parte dos cidadãos para que não procriassem fora do círculo “evoluído”.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, do Instituto Cultural Israelita Brasileiro e membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. De São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Eugenia ao cubo

  1. Eugenia eh como pandemia mal combatida que se retira, se oculta, mas fica as espreita da próxima oportunidade de surgir e e se estabelecer.

    #MorteAaEugenia

    Eugenia = mal a ser combatidos sem do nem piedade.

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