Vai comer o quê?

A reação governamental à pandemia viral tem sido no mínimo atabalhoada. É fato que o Brasil de Emílio Ribas involuiu nos últimos anos, apresentando condições sanitárias bem piores do que já vimos dantes.

O que propõem os mascarados da foto ao lado? Como planejam fazer com que 210 milhões de brasileiros saiam da crise tão ilesos quanto possível?

A figura central, o Presidente da República, convoca novas manifestações para daqui a dez dias, no provável ápice da infecção, como demonstração de que ele surfa em cima da onda. E o senhor à sua direita promete um abono de R$ 200 para quem entrou na onda do empreendedorismo, aquela história de abrir mão da carteira de trabalho e seus direitos duramente conquistados – para serem fixados e regularmente pagos – em troca de ter sua própria bicicleta para fazer entregas.

Pouco? Bem, se depender da trupe, as empresas poderão reduzir jornadas de trabalho e salários, deixando seus trabalhadores com menos condições de chegar ao final do mês com a despensa abastecida.

Os cofres públicos, de que se espera financiamento dos serviços universais e assistência aos que mais precisam da proteção do Estado nestes dias, vão ter problemas de ingresso de recursos, dada a queda da economia e consequente redução da arrecadação tributária.

Mas este ainda não é o problema mais grave. Ter dinheiro para comprar de nada vale se não houver produção, logística e o que comprar no comércio que se ordena fechar em escala crescente, para conter o vírus.

A incompetência oficial não está tratando da continuidade do abastecimento das famílias.

A única coisa que não parece limitada é o pagamento das despesas financeiras do Brasil. E o desvario do governo irresponsável para com suas obrigações.

Otimistas estatísticos preveem 25 milhões de desempregados ao fim da pandemia. Nessa situação, vai ter muita gente disponível para reconstruir o Brasil. Especialmente se o atual governo não mais obstruir o nosso desenvolvimento.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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