Aposentados do Litoral Paulista

A contribuição social por meio do trabalho, que em geral não se ao período aquisitivo do benefício junto à previdência social, constrói uma base material para ser desenvolvida pelos sucessores de cada trabalhador brasileiro.

O que se fez no século passado permitiu o crescimento posterior da renda nacional, da produtividade da atividade econômica e da duração da vida.

Nada mais justo, portanto, que o aposentado participe dos frutos do desenvolvimento do período em que frui da poupança construída por sua geração.

Nos primeiros 19 anos do século 21 tanto o PIB brasileiro como o salário mínimo tiveram crescimento real: este quase triplicou e aquele cresceu 75% mais que o INPC do período, de quase 300%.

Quem ganhava seis salários mínimo em 2000 passou a receber dois neste ano de 2020!

Por um momento esqueçamos dessa distorção. A pergunta que resta é o porquê desse conjunto de brasileiros de mais idade ter sido alijado do crescimento ulterior da economia nacional. O aumento real do salário mínimo, que regula também o benefício previdenciário de menor valor, explica parte da questão.

Mas nos parece mais relevante a estrutura distributiva concentradora de renda que abordamos na última semana, sobre a reforma tributária: não houve para os aposentados uma ação de Estado que protegesse os mais idosos da transferência aos mais ricos de parcela daquilo que construíram ao longo da vida.

Por isso é justo o clamor que se acende por um reajuste real das aposentadorias, além de outros benefícios necessários à qualidade de vida de quem já contribuiu com o Brasil herdado pelas novas gerações.

Em Santos, trabalhadores da região metropolitana de categorias tão diversas como metalúrgicos, portuários, construção civil, servidores públicos e funcionários de edifícios têm conversado bastante a respeito, convocando as principais Centrais Sindicais para nacionalização do debate.

O objetivo é lançar a Campanha Nacional dos Aposentados em abril próximo, com a seguinte pauta:

  1. Reposição anual das perdas inflacionárias;
  2. Reajuste real de 10%;
  3. Vale-remédio de R$ 200,00 mensais;
  4. Antecipação de 50% da gratificação natalina em julho; e
  5. Redução do Imposto de Renda incidente sobre os vencimentos dos aposentados.

Cuidar dos pais, como dos filhos, é dever de todos, a começar do Estado nacional. Em momento de grave ameaça à saúde dos mais velhos, reconhecer-lhes o valor e entregar-lhes renda para viver mais e melhor é o mínimo que podemos fazer.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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