Lula, o programa progressista e a prática

A Mobilização Progressista Global congregou milhares em abril último na cidade de Barcelona, na Espanha. A Agência Brasil destacou a seguinte fala do presidente Lula, presente no encontro:

O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema.

Uma síntese bastante precisa, com ares de autocrítica quanto ao discurso e prática de seu próprio governo. Conforme estudava Mao Tsé Tung em 1937, a prática permite estabelecer conceitos sobre a essência dos fenômenos, permitindo um salto de consciência sobre a realidade das coisas, e sua repetição traz às pessoas resultados esperados, se a formulação tiver sido correta. As teses neoliberais, como bem percebe Lula, já não produzem nada de bom para o Brasil se mantidas na prática governamental, e insistir nelas reproduz o regresso social que o Brasil experimenta há 40 anos.

Como bem o disse, há poucos dias, o filósofo João Antônio da Silva Filho.

“Palavras podem emocionar, mobilizar e até convencer; mas é a prática que lhes confere credibilidade.”

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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