Problema econômico do mundo: prosperidade para todos

O World Inequality Lab (WIL) promoveu a sua terceira edição da Conferência mundial sobre desigualdade (World Inequality Conference – 2026), realizada na Escola parisiense de Economia (Paris School of Economics).

A conferência contou com participantes de 58 nacionalidades diferentes e se concentrou na apresentação do Relatório global da justiça econômica (Global Justice Report).  No discurso de abertura, proferido por Piketty, foi dito que, embora a desigualdade global tenha caído drasticamente desde que Keynes falou, há 75 anos atrás, sobre a possibilidade de alcançar prosperidade para todos, esse desiderato, que pode ser visto como  “o problema econômico do mundo”, permanece como um desafio.

 O mundo ainda enfrenta, segundo ele, “desigualdades marcantes e crescentes e uma crise ambiental ameaçadora”. Sem fazer qualquer referência às crises regulares e recorrentes de produção e investimento, ele sugere que o “problema econômico do mundo” pode ser resolvido por meio da realização de um “cenário concreto possível”. Acredita, por isso, que o futuro deve ser encarado não como “uma distopia tecnológica, mas como uma utopia, ou seja, como um lugar em que prevalece prosperidade para todos” (Piketty).

No relatório, os autores afirmam que “apresentam uma nova visão para o progresso global no século XXI. Eis que se trata para eles de fundamentar o desenvolvimento humano e a igualdade na habitabilidade planetária”. Enquanto tal, o teor dessa proposta se afigura ao mesmo tempo como ambicioso e moderado.  É ambicioso ao mostrar como a prosperidade global e a solução da crise climática podem ser alcançadas; mas também, por outro lado, afigura-se moderado, pois, segundo os autores, essa situação somente poderá ser resolvida, pouco a pouco, apenas nos próximos 75 anos!  Ora, parece muito tempo para vários bilhões de humanos e para as espécies que habitam o planeta!

O artigo completo pode ser consultado, com linques para a Conferência e seus relatórios, no quadro mais abaixo. Como conclusão:

Qual governo do G7 no mundo está disposto a adotar tais políticas?  Nenhum.  Quão perto eles chegaram de adotar alguma das políticas do relatório nos últimos dez ou vinte anos?  Nada que se aproxime – pelo contrário, os governos cortaram impostos para os ricos e as corporações e os aumentaram para o restante; enquanto o investimento público em necessidades sociais diminuiu.  E existe alguma cooperação global para acabar com a exploração das multinacionais e bancos no Sul Global ou para acabar com a produção de combustíveis fósseis e os jatos particulares?

Os autores do relatório dizem: “A desigualdade é uma escolha política. É o resultado de nossas políticas, instituições e estruturas de governança.” Mas a desigualdade não é resultado das “nossas” políticas, instituições e estruturas de governança, mas sim da propriedade privada do capital e dos governos dedicados a sustentar seu poder e riqueza. Se isso não acabar, a desigualdade de renda e riqueza nacional e global permanecerá e continuará a piorar, e as mudanças climáticas atingirão pontos de inflexão irreversíveis.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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