Em busca do desenvolvimento perdido

Às vésperas do pleito presidencial de 2026, o economista da UNB José Luiz Oreiro apresenta um manifesto à Nação brasileira, em busca do desenvolvimento perdido.

Destacamos aqui alguns trechos endereçados aos Cidadãos da República Federativa do Brasil:

O que vivenciamos no ciclo de 2024 a 2026 foi a dolorosa constatação de que o Brasil continua acorrentado. Nossa economia sofre de uma fratura metabólica grave: temos um governo que deseja o desenvolvimento e a justiça social, mas que opera amarrado por uma macroeconomia desenhada para satisfazer a oligarquia financeira.

Quando o Ministro Fernando Haddad assumiu a Fazenda, ele teve o mérito histórico de mudar o foco do ajuste fiscal: paramos de falar apenas em cortar investimentos essenciais e passamos a atacar o lado da receita, mirando os absurdos privilégios e isenções tributárias concedidas historicamente sem critério a quem não precisava. Como a natureza detesta o vácuo, era evidente que ao chutar o paralisante Teto de Gastos, precisaríamos de uma nova regra para sinalizar responsabilidade e evitar o populismo fiscal.

No entanto, o Ministério da Fazenda, infelizmente dominado por advogados em detrimento de economistas e excessivamente concentrado na visão de São Paulo, formulou um Novo Arcabouço Fiscal que é matematicamente inconsistente. Foi um regramento feito às pressas para acalmar os mercados, mas que não fecha no longo prazo. Ele nos forçará — e os dados das nossas projeções de crescimento modesto já mostram isso — a retornar à mesma asfixia contracionista de contingenciamentos que nos impede de investir em infraestrutura.

E por falar em investimento, precisamos ser honestos sobre a nossa política microeconômica. A “Nova Indústria Brasil” (NIB) fracassou. Os números não mentem: nossa participação industrial no PIB continua letárgica (entre 11% e 12%), não melhoramos nossa posição no atlas da complexidade econômica e assistimos a um déficit comercial vertiginoso em manufaturados, que saltou de US$ 109 bilhões em 2023 para projeções de US$ 149 bilhões.

Chegamos então ao cerne da nossa tragédia: a política monetária ditada pela Faria Lima e encabeçada pelo Banco Central do Brasil. Gabriel Galípolo e o Conselho de Política Monetária mantêm uma das maiores taxas de juros reais do planeta, sob o pretexto de combater uma inflação de serviços, mirando uma meta irrealista de 3%, quando nossa média histórica desde 1999, quando o regime de metas de inflação foi implantado, gravita em torno de 6% a.a.

E lincamos o manifesto completo, que conclui com a necessidade de um novo projeto nacional de desenvolvimento, com o que concordamos no Canal M65:

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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