Mutirão pela Soberania Nacional enfoca economia e sociedade

Em 30.4.2026 o Mutirão debateu as relações entre a economia e a sociedade brasileiras. Participamos das duas últimas mesas da sessão virtual vespertina, mais afeitas à política monetária e o Banco Central, que abordou os seguintes temas.

MESA 1: Arranjos produtivos solidários e cadeias curtas de abastecimento: caminhos para a desconcentração de renda

MESA 2: Ciência e inovação: o desenvolvimento tecnológico como motor do trabalho, justiça e soberania

MESA 3: Banco Central e agências reguladoras: autônomos / independentes de quem ???

MESA 4: Política econômica, taxa Selic e metas de inflação: sociedade x interesses privados

Ambas com mediação do economista Carlos Cordeiro, a Mesa 3 tem início às 3h13 da gravação da sessão e a seguinte às 4:42.

O Eng. Márcio Girão abriu o debate apontando o risco de captura das agências reguladoras pelo regulados, com prejuízo à população usuária dos serviços, o que se aplica também ao Banco Central. Mais eficiência é o que se espera da Ouvidoria pública.

Os bancários Gilmar Santos, do Pará, e Gheorge Vitti, presidente do sindicato do ABC, São Paulo, reforçaram a importância de o BC proteger o cidadão do domínio dos bancos sobre a Autoridade Monetária e da participação dos trabalhadores no Conselho Monetária Nacional, para substituir o neoliberalismo vigente por políticas públicas em favor da sociedade. Vitti lembrou que o emprego também é missão do Banco Central e falou sobre os impactos da era digital sobre a atividade da categoria que representa.

Abrimos a última mesa do dia abordando o contido no nosso livro digital O dinheiro, sua história e a acumulação financeira, pugnando por uma nova política monetária para o Brasil, como apontamos ao tempo da autonomia concedida ao Banco Central.

À sequência, o Deputado Federal gaúcho Pepe Vargas apontou as políticas monetária e cambial como principais responsáveis pela desindustrialização do país, que precisa de uma política industrial. Sua Excelência explicou que economia política não é ciência exata para indicar meta reduzida e juros elevados. Esta não é uma decisão técnica, envolve opção política.

Em seus comentários, Gheorge lembrou a dificuldade de o povo pagar sequer o principal dos empréstimos que contrais e que a isenção do IR até R$ 5 mil beneficia 75 milhões de pessoas, enquanto a tributação dos mais ricos oneraria progressivamente 16 milhões. Já Gilmar clamou pelo debate político no Parlamento, que precisa ser mudado nas urnas. Não há cabimento, completou, as famílias parcelarem o seu alimento.

Confira também o evento de abertura da Conferência e o debate sobre defesa nacional.

Na página da Conferência da Soberania você assiste o conjunto das exposições e debates já realizados, bem como fica por dentro da programação vindoura.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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