
Bernardino Brito
Anteriormente haviam quatro faixas de pobreza, conforme os critérios de renda individual e diária, definidos pelo Banco Mundial, conforme segue:
1) Até US$ 1,90 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 3,20 – Pobreza Baixa
3) Até US$ 5,50 – Pobreza Moderada
4) Até US$ 8,30 – Pobreza Ampliada
Na prática, porém, o Brasil atuou de maneira diferente da tabela internacional, fazendo a fusão das faixas 1 e 2 para formar a classificação de Extrema Pobreza, e das faixas 3 e 4 para a Pobreza Moderada e Ampliada.
Obviamente, isso exigiu um ajuste na faixa intermediária de Pobreza Baixa, passando de US$ 3,20 para 4,20.
No todo, percebemos que a agregação exigiu do governo federal um nível de atenção mais profundo e uma ação mais enérgica.
E revelou que de fato, o conjunto de medidas como o Bolsa Família, valorização do salário-mínimo, entre outras, trouxeram resultados. Importante também considerar o nível de desemprego nesse processo, hoje em 5,4% (out-2025), a menor taxa desde 2012.
Então, na prática, o Brasil agiu assim (linhas pontilhadas do gráfico):
1) Até US$ 3,00 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 4,20 – Pobreza Baixa
3) Até US$ 8,30 – Pobreza Moderada e Ampliada
E desse modo, podemos constatar (gráfico) a queda acentuada da Pobreza ao longo dos anos, visto que o país assumiu um compromisso mais consequente que as recomendações internacionais.
Há quem discorde da fusão prática entre as faixas 3 e 4, Pobreza moderada com Ampliada (resultado linha cinza). De todo modo, isso significa que para o governo, estar em qualquer uma dessas duas faixas, não representa estabilidade, ou seja, que impera de algum modo uma certa vulnerabilidade e restrição em relação ao consumo.
Atualmente, o Banco Mundial trabalha com apenas duas faixas redistribuídas:
1) Até US$ 2,15 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 6,85 – Pobreza Moderada
A faixa ampliada deixou de existir, todavia, na prática, se o Brasil continuar com um governo popular, o critério de análise e ação deverá permanecer do mesmo modo como vem sendo aplicado.
O gráfico foi calibrado das três faixas práticas usadas pelo Brasil, para duas, conforme sugere a nova regra baseada nos novos critérios internacionais (linhas contínuas – amarelo e vermelho escuro).
Ao fim, não muda a constatação histórica da queda acentuada dos níveis de pobreza ao longo dos anos.
OBS: Todos os dados , novos ou antigos, estão baseados no PPC – Paridade do Poder de Compra, isso evita distorções geradas pelo câmbio. Nesse caso, a pergunta fica simples: o que se pode comprar com determinado valor em dólares nesse ou naquele país?
A Cesta de Referência do Banco Mundial inclui itens de alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros, no país específico (analisado).

Bernardino Brito é Diretor do CES – Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho

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