Queda dos Níveis de Pobreza no Brasil

Queda da pobreza no Brasil entre 1995-2025

Bernardino Brito

Anteriormente haviam quatro faixas de pobreza, conforme os critérios de renda individual e diária, definidos pelo Banco Mundial, conforme segue:

1) Até US$ 1,90 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 3,20 – Pobreza Baixa
3) Até US$ 5,50 – Pobreza Moderada
4) Até US$ 8,30 – Pobreza Ampliada

Na prática, porém, o Brasil atuou de maneira diferente da tabela internacional, fazendo a fusão das faixas 1 e 2 para formar a classificação de Extrema Pobreza, e das faixas 3 e 4 para a Pobreza Moderada e Ampliada.

Obviamente, isso exigiu um ajuste na faixa intermediária de Pobreza Baixa, passando de US$ 3,20 para 4,20.

No todo, percebemos que a agregação exigiu do governo federal um nível de atenção mais profundo e uma ação mais enérgica.

E revelou que de fato, o conjunto de medidas como o Bolsa Família, valorização do salário-mínimo, entre outras, trouxeram resultados. Importante também considerar o nível de desemprego nesse processo, hoje em 5,4% (out-2025), a menor taxa desde 2012.

Então, na prática, o Brasil agiu assim (linhas pontilhadas do gráfico):

1) Até US$ 3,00 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 4,20 – Pobreza Baixa
3) Até US$ 8,30 – Pobreza Moderada e Ampliada

E desse modo, podemos constatar (gráfico) a queda acentuada da Pobreza ao longo dos anos, visto que o país assumiu um compromisso mais consequente que as recomendações internacionais.

Há quem discorde da fusão prática entre as faixas 3 e 4, Pobreza moderada com Ampliada (resultado linha cinza). De todo modo, isso significa que para o governo, estar em qualquer uma dessas duas faixas, não representa estabilidade, ou seja, que impera de algum modo uma certa vulnerabilidade e restrição em relação ao consumo.

Atualmente, o Banco Mundial trabalha com apenas duas faixas redistribuídas:

1) Até US$ 2,15 – Extrema Pobreza
2) Até US$ 6,85 – Pobreza Moderada

A faixa ampliada deixou de existir, todavia, na prática, se o Brasil continuar com um governo popular, o critério de análise e ação deverá permanecer do mesmo modo como vem sendo aplicado.

O gráfico foi calibrado das três faixas práticas usadas pelo Brasil, para duas, conforme sugere a nova regra baseada nos novos critérios internacionais (linhas contínuas – amarelo e vermelho escuro).

Ao fim, não muda a constatação histórica da queda acentuada dos níveis de pobreza ao longo dos anos.

OBS: Todos os dados , novos ou antigos, estão baseados no PPC – Paridade do Poder de Compra, isso evita distorções geradas pelo câmbio. Nesse caso, a pergunta fica simples: o que se pode comprar com determinado valor em dólares nesse ou naquele país?

A Cesta de Referência do Banco Mundial inclui itens de alimentação, habitação, transporte, saúde, educação, entre outros, no país específico (analisado).

Índice de Gini: 0 = igualdade, 1 = desigualdade, na Europa, é cerca de 0,3

Bernardino Brito é Diretor do CES – Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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