“Tiradentes não se acabou nem se acaba. Prossegue em nós, latejando. Pelos séculos continuará clamando na carne dos netos de nossos netos, cobrando de cada qual sua dignidade, seu amor á liberdade” (Darcy Ribeiro)

Em 2021, André Cardoso, do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, e Juliane Furno, economista-chefe do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa, resgataram o pioneirismo de Joaquim José da Silva Xavier na luta pela independência do Brasil, que não se esgotou em 1822, ao contrário, persiste até hoje sob a dominação imperialista desde fora.
A história do Brasil, como nos ensinam Darcy Ribeiro e Caio Prado Junior, é parte de um projeto de dominação vindo de fora, que tinha como principal objetivo atender as necessidades externas de um capitalismo comercial que se encontrava em formação, impulsionado por uma classe dominante portuguesa, fazendo do Brasil uma empresa rentável para o estrangeiro por meio da exploração de seus bens naturais e da força de trabalho.
A emergência de um modelo de colonização sob estas bases mercantis só cumpriria seu desígnio de acumulação à metrópole sob a conquista e o julgo dos povos, explorados como força de trabalho e inseridos de forma escravizada: primeiro, com a dominação e extermínio dos que se encontravam no território brasileiro; depois, com força de trabalho importada, trazida a partir de uma das empresas mais rentáveis do período: a Escravista.
Se o intento inicial dos portugueses na exploração dessa força de trabalho era reduzi-los a um ‘não-povo’ com a eliminação de suas identidades pregressas, as contradições – vindas desse modelo de colonização por exploração – vão forjando um novo povo que se constrói nas diversas lutas de resistência e busca por libertação, desejosos por edificar novas relações de liberdade e igualdade
Aos poucos, constitui-se um projeto antagônico ao dominante, ainda que de forma extremamente desigual e com um grau acentuado de complexidade, em face das particularidades de cada luta. Cada confronto ensina e alimenta a busca por libertação, primeiro com um pensamento mais restrito para alguns grupos, mas depois se desenvolve para lutas mais amplas como a libertação do julgo colonial.
Revolta dos Cabanos; revolta dos alfaiates; revolta dos malês; guerra dos farrapos; revolução praieira; luta dos quilombos; guerra de Canudos; lutas de independência; Cangaço; greves operárias e lutas urbanas; luta contra a ditadura civil-militar. Os processos de resistências chegam a ser incontáveis e merecem sempre ser lembrados.
E entre tantas experiências de resistência e luta, temos a Inconfidência Mineira, relembrada nessa data de 21 de abril, dia do assassinato de Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, um dos seus principais líderes. Esta foi uma das mais ousadas experiências de projetos de libertação colonial brasileira, que buscava estruturar uma República, abolir a escravidão, decretar a libertação do comércio e promover a industrialização.
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