Tarefas para o próximo período

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Destaco a missão de ajudar o governo Lula a produzir bons resultados, que possam refletir positivamente na contenda eleitoral do ano que vem.

A torcida brasileira quer que o governo dê certo. O próprio Presidente da República declamou que foram dois anos de semeadura, agora virão dois anos de colheita. Mas há um sábio dito popular a respeito: “quem semeia ventos, colhe tempestades”.

As tarefas para o próximo período apontam corretamente que “o governo realiza inúmeras entregas, e melhora indicadores da economia. No entanto, isso não aparece como melhora efetiva da vida da maioria das pessoas, especialmente porque sofrem com a inflação dos alimentos e, também, com falta de perspectivas”.

E por que será?

Estivemos recentemente com Carlos Albérico no Canal M65 e com Regina Abrahão no Pão com Ovo conversando sobre o assunto. E arriscamos dizer que é a rendição aos ditames neoliberais a causa principal do sentimento de incerteza quanto ao futuro do Brasil.

Os industriais estimam em R$ 450 bilhões anuais os investimentos necessários para a indústria retomar o papel que tinha nos anos 1970. Os aportes trilionários anunciados pelo governo federal na Nova Indústria Brasil preveem uma participação de 2 para 1 do setor privado, em relação ao investimento estatal. Se isso acontecer, no final da década recuperaríamos o porte industrial do Brasil de 60 anos atrás.

Mas o trilhão prometido pelo governo é realidade hoje na política monetária, e limita em arcabouço fiscal todo o resto do orçamento público. E o que faz Lula a respeito, com maioria que detém no Conselho Monetário Nacional? Fixa metas de crescimento econômico e pleno emprego para o Banco Central ajudar a alcançar, como é missão da autarquia fixada na lei da autonomia do órgão público? Parece que não.

Mas o déficit zero é perseguido a ferro-e-fogo, para permitir fazer frente a esse compromisso governamental. O ano passado só não foi de 0,1% do PIB em razão da ingente ajuda aos gaúchos acometidos pela catástrofe climática.

Só para dar uma ideia, tanto nos EUA como na China ele, o déficit, varia entre 3,5 e 5%, e ambos os países anunciam aumenta-lo em 2025, os chineses para investir em moradias para o conforto do povo.

Em seu fino humor, Veríssimo relata consulta médica em que é diagnosticado com preção alto dos alimentos. E compara o Brasil com a República Checa, que tem o governo em Praga. Em tempos de dependência externa brasileira, fica fácil diagnosticar o neoliberalismo com a “praga no governo” brasileiro.

Mais indústria para produzir, mais dinheiro para consumir, tributação justa e menos juros, pode ser um resumo da fórmula para o Brasil melhorar o bem-estar mais do que o caríssimo índice de inflação produzido pelo ineficiente, por gastos ilimitados, Banco Central do Brasil.

Leitura complementar: Notas sobre o pacote fiscal.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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