O Corecon-SP apresentou na TV Economistas debate sobre os recentes impactos dos alimentos na alta de preços experimentada pelo Brasil no final de 2024.
O coordenador da Comissão de Políticas Públicas e Superação da Desigualdade Social, Antonio Prado, moderou a conversa.

O evento teve apresentação do professor José Giacomo Baccarin, agrônomo, diretor do Instituto Fome Zero e pesquisador com expertise em Mercado de Trabalho Agrícola, Políticas Agrícolas e Inflação de Alimentos.
Ele introduziu o tema explicando que a inflação de alimentos é um problema estrutural, que vem de 2007 e afeta mais os mais pobres, que despendem parcela maior dos rendimentos com alimentação.
Como se afere no gráfico, em 18 anos a inflação de alimentos superou o IPCA na maioria deles, atingindo uma média anual de 7,8%, dois pontos percentuais acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo.

A internacionalização do comércio agrícola em cenário de alta dos preços no mundo é a causa básica da inflação de almentos, agravada pela política cambial praticada no país. O professor notou também que os preços dos produtores tem mais peso na formação do índice que aqueles praticados pela indústria e distribuição. Isso traz um malefício nutricional à população, em razão de os ultraprocessados ficarem relativamente mais baratos do que os naturais ou levemente industrializados.
O agrônomo registrou que a inflação de alimentos é concentrada em três grupos de produtos: principalmente carne, que teve um movimento especulativo altista no final de 2024, secundada por café e leite. Em tempos anteriores, soja e laranja cumpriram esse papel.

Também compuseram a mesa o presidente do Corecon-SP, Odilon Guedes, que lembrou da prejudicial derrama de juros de R$ 800 bilhões anuais, que não ajuda a economia brasileira; a ex-vereadora paulistana Lidia Correa, do Movimento contra a Carestia, que lembrou da importância dos estoques reguladores no controle dos preços; e o economista Luis Alberto Melcher de Carvalho e Silva.
Entre as sugestões de Baccarin encontram-se a necessidade de alteração da política do Banco Central em relação aos preços agrícolas, focando no que de fato inflaciona o mercado interno, arbitragem governamental entre exportação e consumo interno, que tem sido suficientemente atendido pelos produtores, e contenção das ações político-especulativas.


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