O Banco Central e os riscos e oportunidades sociais e ambientais

Ao economista e professor da FGV Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central do Brasil, incumbiu apresentar o RISRelatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticos de 2024.

Documento dá mais visibilidade à atuação do BC em relação às questões climáticas e aos impactos econômicos e financeiros relacionados à sua missão.

Picchetti explicou que o BC tem agenda tecnológica e de inovação mais conhecida, com o pix, drex e open finance, entre outros produtos, mas também trabalha e incentiva boas práticas de sustentabilidade do planeta, país e de sua própria atuação.

Respondendo ao apresentador Gustavo Igreja, enumerou diversos impactos sobre a economia que eventos extremos, derivados do aquecimento global, trazem sobre a economia, provocando alta de preços e redução da atividade econômica, como se viiu recentemente do Rio Grande do Sul e, há alguns anos, no rompimento da barragem em Mariana, MG.

Além de buscar mitigar os efeitos das crises climáticas, a autoridade monetária previne a ocorrência de efeitos negaivos dos riscos sociais e ambientais, coibindo o crédito a agentes poluidores ou escravagistas e mesmo certificando empresas e instituições públicas e privadas como habilitadas a receber investimentos de países socioambientalmente responsáveis. Estes são, acrescentou o diretor, alvo preferenciais de aplicação das reservas internacionais do país.

Em tempos de presidência do G20, o Brasil sediará a COP 30 em Belém do Pará e traz temas ao consórcio internacional de países preocupados com o futuro da Terra e da humanidade como a transição energética, inclusão social e redução da emissão de gases de efeito estufa. Um dos propósitos globais é a compensação dos países do Sul Global pelo Norte responsável perlas agressões ao meio ambiente.

Ilustração do RIS. Fonte: RIS 2024 – BCB (pg. 51)

Um dos objetivos do RIS, cuja edição 2024 tem 81 páginas, é quantificar os riscos, comparando a evolução natural das práticas humanas com aquelas que sucedem eventos traumáticos, como o rompimento de barragens, ou evolução ecologicamente sustentáveis, como a descarbonização da produção e dos transportes.

O diretor do BC concluiu com um alerta: as boas práticas custam mais no curto prazo e trazem benefícios no médio e longo prazos, mas a inação pública e privada pode economizar no tempo imediato, mas seguramente é imprescindível para se ter um futuro para todos os viventes.

Na seara das oportunidades sociais, no entanto, sempre é possível fazer mais para mitigar os riscos no país: (a) como pode o Banco Central usar o seu poder regulador sobre o sistema financeiro nacional para que este “promova o desenvolvimento equilibrado do país” e assim o pleno emprego seja fomentado, já que o trabalho é a primeira das necessidades humanas; e (b) como pode a política monetária do BC liberar mais recursos em circulação para os programas públicos de inclusão social, hoje em boa medida sorvidos pela concentração financeira de renda?

Reveja o programa de estreia do Live BC.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Um comentário em “O Banco Central e os riscos e oportunidades sociais e ambientais

Deixe um comentário