Firmus do BC visa capturar expectativas da “economia real”

O Banco Central do Brasil está procurando captar as expectativas das empresas financeiras com um conjunto de variáveis da economia. O que de pronto chama a atenção é que os agentes econômicos consultados representam a economia real, na opinião da autoridade financeira.

Ainda em fase experimental, o Firmus se propõe a complementar o já conhecido Focus, este voltado à opinião do mercado financeiro. A primeira edição do relatório teve, conforme explicou no canal Youtube do Banco Central o diretor Diogo Guillen, entre 80 e 90 respondentes a questões sobre inflação, preços e atividade das empresas.

Conforme se vê logo na tabela 2 do “Banco Central – 1º Relatório Firmus – etapa piloto, agosto de 2024”, as expectativas de inflação dos representantes da economia real consultados pelo BCB são ligeiramente superiores à opinião dos bancos, expressa no Focus, com uma projeção do PIB em torno de 2% este ano nos dois setores econômicos.

Já o gráfico 10 do documento mostra as empresas participantes pretenderem elevar seus preços em linha com a expectativa de inflação ou ligeiramente acima de um índice que já é um tanto maior do que projetam as instituições financeiras.

O resultado prático dessa atitude será inflação no próximo período, a ser aferida pelo IBGE e outros órgãos encarregados da medição da variação dos preços.

O processo ainda é experimental e pode contribuir para o fomento do pleno emprego, suavização das flutuações da economia e solidez e eficiência do sistema financeiro, sem prejuízo à missão principal do BC, que é o controle dos preços da economia.

Mas indica que se pode pensar em duas outras consultas dos agentes econômicos, consolidadas em relatórios que poderiam ser chamados de Status, para a opinião governamental, e Laborus, para as expectativas dos trabalhadores.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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