
Em 1867 aparecia o 24º capítulo de O Capital, a obra-prima da Karl Marx sobre o desenvolvimento das relações capitalistas de produção, versando sobre “a chamada acumulação original“.
O filósofo alemão mostrava que o ponto original da espiral capitalista não era produto da capacidade produtiva e da poupança dos que se iniciavam como capitalistas, mas fruto da expropriação violenta do fruto do trabalho alheio na Europa e das terras e riquezas nas colônias das potências europeias, o que permitiu o aproveitamento da nova técnica sob a propriedade daqueles que se sobressaíram na acumulação primitiva, que bem pode ser chamada também de “apropriação preliminar” do capitalismo.
A concentração da propriedade fundiária em países como a Inglaterra, por exemplo, teve duplo efeito na superação das relações feudais antes hegemônicas. A separação da massa de produtores rurais, que trabalhavam sua porção de terra e se serviam, ademais, de pastos comunais, dos seus meios de trabalho e subsistência criou um contingente de migrantes proletário para as cidades em que a indústria nascia. Esta, no entanto, não tinha ritmo suficiente para assalariar a todos, gerando uma turba que vivia do benefício social, da mendicância proibida ou mesmo do furto e outros métodos. No campo, surgiam os rendeiros, intermediários entre os latifundiários e o novo operariado agrícola, que igualmente aos da cidade vendia sua força de trabalho por um salário, que representava parte do que era capaz de produzir.
Nas colônias das Américas, África e Ásia, a expropriação se dava se forma ainda mais violenta, onde a “lei do mais forte”, o invasor, se fazia valer sobre a vida dos locais, que pagavam com a morte ou o trabalho em condição de escravo, inclusive se aplicando o regime às crianças. A ocupação, além de ampliar a oferta de matérias primas para as indústrias das matrizes, permitiu formar um novo mercado para a ulterior fase imperialistas do desenvolvimento capitalista.
No século 19, as rendas provenientes da usura e do comércio permitiram a definição da propriedade do capital industrial em tempo relativamente curto, amparada por uma superestrutura política que lhe facilitava o intento. E os estados nacionais nascentes encontraram no endividamento uma forma de financiar a industrialização, o que permitiu uma modalidade de enriquecimento concentrado na forma de juros que os novos capitalistas lhe cobravam, modelo que até hoje perdura.
Em conclusão, Marx delineia o futuro de acumulação cada vez mais concentrada do capital, que facilmente se observa hoje na história do capitalismo, E arremata:
A transformação da propriedade privada fragmentada assente em trabalho próprio do indivíduo em capitalista é, naturalmente, um processo incomparavelmente mais longo, duro e difícil do que a transformação da propriedade privada capitalista já efectivamente assente numa empresa de produção social em social. Tratava-se ali da expropriação da massa do povo por poucos usurpadores, aqui trata-se da expropriação de poucos usurpadores pela massa do povo.

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