A Live do João trouxe os economistas Marcelo Fernandes, professor no Rio de Janeiro, e Lecio Morais, analista legislativo aposentado da Câmara Federal, para responder à pergunta-título.
Diante das notícias da aproximação do Japão ao BRICS para se proteger do dólar dos EUA, três perguntas foram apresentadas aos debatedores: (a) considerando a decadência relativa do imperialismo, seguir-se-á usando o dólar no comércio exterior?; (b) é possível substituir o dólar, reforçando as soberanias nacionais ao redor do mundo?; e (c) qual o papel do Brasil nesse processo?
Marcelo destacou a centralidade da moeda estadunidense não só no comércio global, como também nos investimentos financeiros internacionais. A perda dessa condição é possível, mas não em prazo curto, já que traz vantagens aos EUA e este não demonstra vontade de perde-las.

O dólar já foi lastreado em ouro, deixou de se-lo em Bretton Woods, mas não perdeu a sua condição hegemônica nem então nem na crise de 2008; agora é usado como arma geopolítica na guerra contra a Rússia, mas não tem angariado simpatia dos participantes das transações internacionais.
O professor lembrou que tanto Japão como a China tentaram processos de internacionalização de suas moedas, sem sucesso e consequência no passado. Hoje a discussão está novamente presente nos Brics, com a China já realizando pequena parte de suas trocas com o estrangeiro em renminbi.
A seu turno, Lecio trouxe o debate ao prazo e custo da substituição do dólar, já que a política monetária estadunidense desagrada inclusive a parceiros tradicionais: “resolve o problema deles e joga a conta para o resto do mundo”, asseverou.

Se os EUA não querem respeitar minimamente os interesses de outros países, um novo arranjo monetário internacional se faz necessário, não só com o sul-global, mas com uma multipolaridade de moedas. O cientista político sugera a criação de uma nova câmara de compensação internacional, que agiria globalmente ao modo de um banco central e proporcionaria o câmbio de moedas entre os participantes, sem a intermediação de valores em dólares, com garantias atreladas, que permitissem o contínuo funcionamento do organismo.
Para que a voz do Brasil, proponente ontem e hoje da mudança de padrão, seja mais influente, é preciso apostar na via do crescimento da produção nacional e da consequente participação no comércio nas finanças globais, concordaram os palestrantes em resposta à terceira pergunta.
Sempre atento, também, aos movimentos da China, e focado nos próprios interesses nacionais brasileiros.
A Live do João vai ao ar todas as terças-feiras, às 19 horas, na TV Grabois.

Claro que sim !!!!!
O peso argentino é candidato ???
PAULO MARCOS
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