Agora, os mitos de 5 a 8 “destruídos” na aula do Instituto Conhecimento Liberta, de Eduardo Moreira,que contou com a presença dos economistas Pedro Rossi e Juliane Furno. Esta sessão focou nos temas da política monetária. Veja também o primeiro bloco de narrativas.
Mito 5
A inflação é um problema puramente técnico

Embora a inflação seja um fenômeno complexo, o destino do aumento do preços afeta cada um de forma distinta. O diferencial entre o preço vigente e o novo preço, mais alto, pode ser dirigido à empresa, seus funcionários, ao governo, aos fornecedores ou aos acionistas, que disputam cada centavo do bolo. Assim, o conflito distributivo derivado do problema econômico adquire características políticas. Se no início da década passada a inflação tinha causa principal na disponibilidade das famílias para gastar, hoje a condição dependente e periférica do Brasil, país menos industrializado que as economias mais desenvolvidas, os custos e os preços das comódites são fatores que empurram os preços para cima.
Em tempos de inflação de custos, o aumento das taxas de juros encaminham o país à recessão, com desemprego e queda de trabalho e renda, reduzindo ainda mais a demanda já constrita. Nessa situação, “o martelo não serve para o parafuso”, trazendo efeitos sociais nefastos. Por exemplo, uma reforma agrária poderia contribuir para a deflação dos preços dos alimentos; créditos subsidiados e direcionados poderiam ajudar na substituição das importações, reduzindo a dependência externa e a pressão cambial. O que não cabe é servir-se apenas do movimento adestrado de subir e baixar juros sempre que os preços se moverem na economia.
Mito 6
Aumentar juros é remédio inevitável para a inflação

Mito 7
Um banco central independente cuida melhor da inflação

A independência do BC em relação ao governo não encontra guarida constitucional, pois a autoridade monetária não é poder da República no Brasil. E tem, como outros diversos setores públicos, uma “porta giratória” com o mercado financeiro, o que lhe facilita a captura pelos interesses rentistas, cujo lucros estão imbricados com a politica monetária vigente. Aos mais pobres, a inflação prejudica especialmente quando não é reposta ao salário, reduzindo o poder de compra das famílias e apontando desemprego futuro. O FED define juros por experimentação. Já o Brasil trabalha com metas de inflação, que igualmente são objetivos futuros inexatos, vez que o CMN estabele uma o BC estimava em 2021 chance maior de ficar abaixoosdo piso que acima do teto, mas a realidade mostrou que os precos subiram 10% no ano.
Em 2021, por exemplo, o BC estimava chance bem maior de a inflação ficar abaixo do piso da meta, do que fechar acima do teto, e assim definiu os juros básicos. A realidade mostrou que os precos subiram 10% no ano, quase o dobro do limite superior da meta.
Segundo a ANBIMA, os mais pobres aplicam nos mercados financeiros algo em torno de R$ 2 trilhões, mesmo valor dos mais ricos, só que são mil vezes mais (110 milhões x 110 mil). Deles, a metade está na poupança, enquanto na camada superior da pirâmide a participação da modalidade está aquém de 1%. A poupança é menos rentável e menos segura que os títulos públicos, pois estes, além de pagar juros mais elevados (mesmo descontado o imposto exclusivamente na fonte), são garantidos pelo governo, enquanto aquela conta com garantia de fundo privado garantidor de crédito. Setores como a construção civil, por exemplo, beneficiam-se com empréstimos mais baratos, baseados na aplicação mais popular.

Os conceitos e ilustrações foram apresentação na aula do ICL, a partir do livro de Pedro Rossi e Juliane Furno, Economia para transformação social.
No primeiro bloco da aula, outros quatro mitos foram destruídos.



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