Sobre as perspectivas da Revolução Chinesa

Há quase cem anos reunia-se a comissão chinesa da Internacional Comunista para avaliar as perspectivas da Revolução no país asiático. As observações do líder soviético Josef Stálin eram importantes à China de então e, como se verá, ao Brasil de hoje.

De acordo com Nilson Araújo de Souza, em seu artigo A questão nacional na Revolução Chinesa, publicado em 2019, “em 1820 a economia chinesa representava 30% da economia mundial, mas, depois da ocupação e pilhagem por potências estrangeiras ao longo do século XIX e primeira metade do século XX, reduzira esse peso para 5% à época da Revolução de 1949. Em 2018, às vésperas do aniversário de 70 anos da revolução, já representava 18,7% do PIB mundial pelos cálculos do FMI e 17,7% pelo critério do Banco Mundial (medido pela paridade do poder de compra)”.

Portanto, a discussão de Novembro de 1926 dava-se sob a égide da decadência do peso da China na economia global. No período, imperava a propriedade estrangeira sobre os recursos produtivos e as estradas de ferro do país e, subsidiariamente, de alguns nacionais subservientes e apoiados pelos mandatários imperialistas externos.

A luta dos chineses envolvia-se de características nacional-libertadora, pela construção de um Estado democrático-burguês, de resto também para liquidar os resquícios imperiais e feudais. No entanto, pontuava Stálin, a burguesia nacional era fraca e a liderança do processo deveria caber aos trabalhadores urbanos, tendo por aliados não só os burgueses chineses como também a imensa massa rural de camponeses, que consistia na maioria da população.

Aos que se iludiam aos agrados dos senhores de fora, o orador lembrava as palavras recorrentes de Lênin: “os imperialistas mais generosos em carinhos, são os que se agarram mais tenazmente às “suas” concessões e estradas de ferro na China, e não estão dispostos de modo algum a renunciar às mesmas”.

Stálin discorre ainda sobre as questões militar, operária, campesina e juvenil, para concluir pela importância de ir além da anulação dos tratados desiguais, mirando a nacionalização das estradas de ferro, das plantas fabris e da terra.

É evidente que as condições do Brasil no século 21 são muito distantes daquelas observadas às vésperas da Revolução de 30. Mas a hoje enfraquecida burguesia, cujos expoentes acumulam riqueza sob a sombra do capital financeiro internacional tem levado o país a uma posição declinante na periferia do sistema econômico mundial.

Para que o Brasil reencontre o seu destino de grande Nação, uma ampla união das forças nacionais é agora demandada, e tão mais profícua ela será se liderada pelo trabalho, em aliança com o capital produtivo nacional.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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