A campanha e a economia

Paulo Kliass, no Vermelho

Assumir o compromisso com uma política de recuperação de gastos públicos e criar as condições para a retomada de um projeto nacional de desenvolvimento

Antes de abordar o desastre econômico em que o governo vem afundando o pais, Klias situa os objetivos do presidente: diante dos “processos criminais nas esferas jurídicas nacionais e internacionais, em função das ilegalidades e atrocidades cometidas ao longo de seu mandato. Desde o momento em que abandonou o discurso falacioso da “nova forma de fazer política” e se jogou de braços abertos no colo do Centrão, o presidente colocou o tema da sua recondução ao Palácio do Planalto como prioridade absoluta de seu governo.” E prossegue:

A aliança explícita com os representantes do Centrão permitiu a tramitação e aprovação de medidas encaminhadas pelo Palácio ao legislativo, em troca de favores e benesses, como como atestam os escândalos com cargos e verbas. Nesse domínio, a novidade mais ousada talvez tenho sido a introdução das emendas do Relator no Congresso Nacional, tornando o Orçamento Geral da União uma verdadeira caixa preta. Isso porque as emendas bilionárias da nova modalidade aprovadas receberam o carimbo de “secretas”.

A economia de Bolsonaro é um desastre.

No entanto, as dificuldades enfrentadas pelo governo no campo da economia vieram a se somar aos escândalos de corrupção e às quase 700 mil mortes provocadas pela covid. E passaram a ser o centro das preocupações da maioria da população. Os preços crescentes dos derivados de petróleo e dos alimentos comprometeram ainda mais as condições de vida da grande maioria da população. Com isso, a inflação voltou aos dois dígitos e a perda do valor de compra da moeda tem penalizado mais agudamente a população de menor renda. A permanência do desemprego em patamares e a obsessão de Paulo Guedes em promover a austeridade fiscal e o desmonte das políticas públicas só fizeram aumentar a impopularidade do Presidente e contribuíram para dificultar sua preferência nas pesquisas de intenção de voto. Em razão desse quadro, Bolsonaro resolveu abandonar de forma definitiva qualquer compromisso com o discurso fiscalista da ortodoxia do superministro da economia e focou em sua reeleição a qualquer preço, literalmente.

Vieram assim os atos destrambelhados pela mudança no comando da Petrobrás, com o objetivo de reduzir o impacto dos aumentos dos combustíveis. Na sequência, surgiu a PEC do desespero e a busca pela redução da impopularidade do chefe do governo por meio de retorno de auxílios emergenciais para diversas categorias. Mais uma vez, ganha evidência por aqui o dito “é a economia, estúpido”, atribuído a um assessor da campanha do ex presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, em 1992, na disputa em que venceu o candidato republicano, George Bush.

Como alternativa para o país, o especialista vaticina:

A economia é a pauta do povo.

Lula não pode deixar a menor margem de dúvida de que vai recuperar os programas sociais, com a retomada de medidas na área da saúde, da assistência social, da educação e similares. E que isso significa a necessidade de revogar a política de teto de gastos imposta pela EC 95. Lula precisa dizer também que as causas da inflação serão enfrentadas, ao contrário do que fez Bolsonaro em mais de 3 anos de desgoverno. Isso significa assumir que porá fim à política de preços da Petrobrás e promoverá a retomada de medidas de formação de estoques reguladores na área de alimentos.

Enfim, Lula precisa convencer o eleitorado de que pode e vai mudar a economia. Não pode se negar a assumir o compromisso com uma política de recuperação de gastos públicos, única forma de minorar os efeitos atuais da crise social e econômica, bem como para criar as condições para a retomada de um projeto nacional de desenvolvimento. Os recursos públicos para essa tarefa existem, ao contrário do que insistem em mentir as cassandras do liberalismo financista. Lula acerta ao recuperar a memória histórica do governo de Juscelino Kubitschek, ao afirmar que fará 40 anos em 4. (leia a artigo na íntegra)

Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal no Brasil.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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