O partido mais antigo do Brasil

João Amazonas

Há exatos 25 anos o Presidente do PCdoB escrevia sobre os primeiros 75 anos da vida partidária. Muito se pode acrescentar neste quarto de século decorrido até o centenário que hoje se comemora. De nossa parte, expressamos a alegria de a união com o PPL ter ocorrido exatamente no centésimo aniversário do meu pai José Aron, em vida comunista.

Neste mês de março, o Partido Comunista do Brasil completa 75 anos de existência. É o mais antigo partido político do país. Desde sua fundação ergueu a bandeira da luta pelo socialismo científico. Ainda que vivesse altos e baixos em sua formação, o partido esteve presente nos principais acontecimentos ocorridos no Brasil.

Sua atuação política e organizativa não tem sido fácil. Desde a fundação enfrenta o reacionarismo das forças conservadoras, que temem a liberdade e tudo que possibilite o progresso social.

Duramente perseguido, como se fora o Ferrabrás da luta de classes, usufruiu curtos períodos de legalidade tolerada. Dirigentes do partido passaram longos anos nas prisões ou na clandestinidade rigorosa.

Grande é o número de mártires e heróis comunistas. Recentemente, mais de cem membros do partido foram assassinados pela ditadura militar que se apossou do poder em 1964.

Todavia a reação brutal e prolongada jamais conseguiu destruir o Partido Comunista. Este encontrou sempre os meios de recompor-se e prosseguir na luta progressista de caráter social, democrático e nacional.

É de notar que todas as campanhas orquestradas pela reação interna e externa contra os comunistas prenunciaram a implantação de regimes autoritários. Assim foi em 1936/37, com o Estado Novo; assim foi em 1946/50, no malfadado governo do marechal Dutra; assim foi também em 1963/64, que preparava a ditadura militar de mais de duas décadas. Coincidentemente, as fases de legalidade do partido corresponderam aos períodos de aberturas democráticas.

Apesar de perseguido, o Partido Comunista do Brasil tem dado valiosas contribuições à luta do povo brasileiro por transformações necessárias ao seu pleno desenvolvimento.

Nos primórdios de sua existência, levantou a bandeira da reforma agrária. Em defesa dos interesses do proletariado, batalhou por conquistas sociais e pela criação de uma central única, de feição classista, agrupando as organizações sindicais de todo o país. Foi a alavanca fundamental impulsionadora da campanha vitoriosa do “Petróleo É Nosso”. Pugnou pela instalação da siderurgia nacional, movimento que teve à sua frente o engenheiro Raul Ribeiro. Tomou parte ativa na pregação em defesa da Amazônia.

No período da Segunda Grande Guerra, defendeu a posição do Brasil junto aos aliados da luta antifascista e apoiou o envio da Força Expedicionária Brasileira à Europa.

O partido foi sempre força combativa em prol da democracia no país. Opôs-se a todos os regimes autoritários, abertos ou disfarçados, buscando alargar os espaços das correntes políticas democráticas. Participou, com uma bancada de 15 parlamentares, da Constituinte de 1946. E desempenhou papel positivo na convocação e realização da Constituinte de 1988.

Com o fim da ditadura militar, em 1985, o Partido Comunista do Brasil obteve a legalidade, que perdura por mais de 11 anos. Neste período, os trabalhadores e o povo têm tido a oportunidade de conhecer melhor a fisionomia política da organização partidária que defende o socialismo científico como perspectiva viável para o país e luta por um regime democrático que possibilite o avanço da sociedade brasileira no caminho do progresso e da afirmação inequívoca da soberania nacional.

Na atualidade, o Partido Comunista encontra-se nas primeiras linhas de combate ao neoliberalismo, doutrina imperialista que visa submeter a maioria dos países do mundo, particularmente os menos desenvolvidos, à tutela dos oligopólios e da oligarquia financeira internacional. O Brasil é um dos alvos principais dessa ofensiva, erroneamente tida como irreversível.

Com a adesão de Fernando Henrique Cardoso ao neoliberalismo, o patrimônio público vai sendo alienado, as conquistas sociais e democráticas, golpeadas, a Constituição de 88, revogada. Procede-se ao desmonte do Estado Nacional. E investe-se contra os partidos de esquerda e democráticos.

Tramam-se medidas fortemente restritivas contra o Partido Comunista, na chamada reforma política, prenúncio de mau agouro de marcha rumo a uma ditadura civil.

Aos 75 anos de existência, o Partido Comunista do Brasil goza de boa saúde política, organizativa e ideológica. Propugna a união das forças de esquerda como núcleo de uma união mais ampla do povo brasileiro para enfrentar e derrotar o neoliberalismo. Não tem dúvida de que haverá muitas dificuldades, mas a vitória chegará a seu tempo, com a unidade e a luta dos trabalhadores e do povo.

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Uma árvore com profundas raízes no ser nacional, de tronco centenário e muitos ramos à copa, cada vez mais integrados para unir a Nação, romper com a dependência e construir o socialismo.

É tempo de florescer.

Artigo originalmente reproduzido no Portal do PCdoB.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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