8 de Março em defesa da vida

No mundo inteiro as mulheres mobilizam-se no 8 de Março pela vida e a igualdade de direitos. A data faz alusão, há mais de cem anos, ao incêndio criminoso de uma tecelagem nos EUA, em que as operárias protestavam por melhores condições de vida e trabalho e foram aprisionadas e chacinadas na própria fábrica.

Trazemos a entrevista exclusiva com Márcia Campos, falando da luta das mulheres, que ainda parece ter longa jornada até a sua conclusão.

Por que a espécie humana, em pleno século 21, ainda se depara com demandas femininas, que parecem exigir uma organização social específica para atende-las? Quais são elas?

MC: A discriminação e o preconceito de há muito são chagas combatidas na luta pela igualdade entre os seres humanos, contra a bestialidade do capitalismo e pelo socialismo como alternativa de poder. Em mais de dois séculos de capitalismo, e na sua fase mais degenerada, o imperialismo, está claro que para a burguesia monopolista o melhor seria a mulher ficar em casa, servindo para a reprodução e barateamento da força de trabalho, sobrevivendo junto com os filhos a um salário de fome. Como disse Lênin a 100 anos atrás, em uma conversa com Clara Zetkin sobre a participação das mulheres no partido, nas entidades sindicais, na produção: “As mulheres trabalhadoras, não podem seguir sujeitas à escravidão doméstica, sufocadas pelo trabalho mesquinho, braçal, pesado, embrutecedor, na cozinha e, em geral, pelo isolamento da economia doméstica, como se fossem cidadãs de segunda categoria”.

A luta das mulheres brasileiras, nos dias de hoje, passa pela conquista de trabalho em todas as áreas possíveis, salário igual para trabalho igual, creches em tempo integral, aumento da licença-maternidade para 1 ano para a mãe ficar com seu filho na época mais importante da vida dos nenéns, escola, lavanderias e restaurantes populares. A eleição de mais mulheres nos parlamentos, com a garantia de cotas de cadeiras para as mulheres, por mais mulheres em todas as esferas de poder e comando no mais variados segmentos onde a sociedade se organiza.

A luta pela plena emancipação da mulher é uma luta que interessa a homens e mulheres pois quanto mais desenvolvida a mulher, mais da metade do eleitorado e mais da metade da população brasileira, mais forte é toda a sociedade. Organizar as mulheres nos partidos políticos, nos centros acadêmicos, nos sindicatos e centrais sindicais, no movimento social brasileiro é avançar nas conquistas que permitirão uma ampla participação da mulher na sociedade brasileira. 

Nestes dias, já em março, o deputado federal Artur do Val, vulgo “Mamãe Falei”, em sua viagem à Ucrânia em guerra declarou que “as ucranianas são fáceis porque são pobres”. Faz senso o que disse o parlamentar? Como esse ataque à condição feminina impacta o Brasil de hoje?

MC: Não faz absolutamente nenhum senso a absurda e criminosa fala do Deputado Val. A sociedade vai cassar o mandato dele. Ao longo da história a violência sexual, os estupros em massa, são uma das armas de guerra mais recorrentes para desmoralizar uma sociedade. Os militares japoneses, quando invadiram a RPDC (Coréia do Norte), foram responsáveis pelo estupro de cerca de 500 000 mulheres coreanas. Décadas se passaram antes de o governo japonês reconhecer o crime e se desculpar com a Nação Coreana. O fascista atua como se dono de tudo e de todos fosse. As mulheres nada mais são do que instrumentos para serem utilizadas de acordo com suas necessidades. O fascismo e o genocismo andam de mãos dados. O Deputado Val, expõe da maneira a mais clara possível a desumanidade desse tipo de gente. Ao ver mulheres fragilizadas pela guerra, em filas para saírem de seu país, com seus filhos nas mãos, vociferou que essas mulheres seriam fáceis por serem pobres. 45% das famílias brasileiras são comandadas por mães chefes de família, mulheres pobres, muitas vezes desempregadas e negras, que cuidam sozinhas de seus filhos. São heroínas brasileiras, para quem devemos dirigir o máximo de políticas públicas para que elas sejam capazes de educar e criar seus filhos, o futuro de nossa nação.

Você foi a primeira presidente brasileira da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM)? Como surgiu essa reunião global das mulheres e o que avançou no trato da questão feminina?

MC: A FDIM foi criada em dezembro de 1945, no pós segunda guerra mundial, para lutar pela Paz e a Democracia no Mundo. 41 países se reuniram em Paris, numa Europa devastada pela Guerra e assumiram o compromisso de lutar para organizar as mulheres nos cinco continentes e denunciar as diversas facetas do imperialismo com as suas invasões, agressões, bloqueios e guerras. Hoje a FDIM já está organizada em 159 países, tem assento na ONU, na UNICEF, na OMS, no Mercosul. Participa de atividades da OIT e Alba. A FDIM apresentou para aprovação na ONU o dia 8 de Março, como o Dia Internacional da Mulher e o ano de 1975, como a Década da Mulher. Nos dias de hoje, a luta pela promoção e emancipação das mulheres, em todos os continentes do mundo está presente. Mais necessário ainda se faz, ampliarmos essa luta e fazer com que a igualdade entre todos os seres humanos seja um fator derradeiro para o Desenvolvimento e Soberania das Nações.

Como está organizado e qual é a pauta do movimento feminino no Brasil de hoje? Como ele se integra à luta geral do povo brasileiro para unir a nação e romper com a dependência?

MC: A luta do povo brasileiro hoje passa pelo Fora Bolsonaro!, em Defesa da Vida e da Democracia. O maior percentual de brasileiros que querem o Bolsonaro fora da presidência são de mulheres. Lutar por um país desenvolvido, com comida no prato para todos e todas, é nossa meta.

Nos dias de hoje, no Brasil, onde a fome e a miséria estão nos lares brasileiros, 116 milhões vivendo em insegurança alimentar, nossa luta passa pela defesa da Vida, da Democracia, por controlar o preço dos gêneros de primeira necessidade, controlar o preço do gás, da gasolina, da luz e da água. A luta contra a carestia, por comida no prato cresce junto com o clamor das mulheres por Fora Bolsonaro! Nos unimos a todos os democratas que querem salários iguais para trabalhos iguais, para homens e mulheres. A centralidade da luta dos brasileiros no pleno acesso ao trabalho, pelo aumento do salário-mínimo, para no mínimo o dobro do que é hoje. O Dieese fala em pelo menos R$ 5.000 para uma família com 4 pessoas.

A pauta do  movimento feminino nos dias de hoje exige que acabem as mortes por Covid-19, até o momento 650.000 pessoas; pela vacinação para todos os brasileiros, inclusive as crianças, em quantas doses forem necessárias. Cuba já vacinou 100% de seu povo e já está em 60% da quarta dose para todos. Auxílio Emergencial de 600 reais e 1200 reais para as mães chefes de família. Auxílio para as pequenas e médias empresas não quebrarem e desta forma não demitirem os trabalhadores.

Márcia Campos presidiu a Confederação das Mulheres do Brasil e a Federação Democrática Internacional de Mulheres; hoje é Secretária Nacional Adjunta das Mulheres do PCdoB.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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