As mulheres e as saídas para a crise econômica no Brasil

Não à fome, ao desemprego e à carestia

A principal atividade feminina do dia 8 de Março de 2022 foi promovida pela Confederação das Mulheres do Brasil (CMB), em conjunto com a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e o DireitosJá.

Nas redes sociais, sob mediação da ex-vereadora de Recife Edna Costa, reuniram-se a deputada federal Lídice da Matta, a professora titular de economia da PUC Norma Cristina Brasil Casseb, a ex-vereadora paulistana Lídia Correa da Silva e a historiadora Rosanita Monteiro de Campos, da Fundação Maurício Grabois, ela própria ex-presidente da CMB.

Após as saudações de Gláucia Morelli, presidente da CMB – “precisamos de paz e mudar radicalmente a política econômica implantada neste país” – e do presidente do Sinait, Bob Machado – “as auditoras fiscais resgatam a dignidade de milhões de brasileiros” -, foi a vez de Norma Casseb lembrar Rosa Luxemburgo: “socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.

A professora recapitulou os trágicos números da economia brasileira e mostrou que é pior para as mulheres, com salários entre 60% e 70% de homens com a mesma formação e especialização. Desemprego, taxas de juros alarmantes, PIB percapita abaixo da Argentina e do México, inflação de alimentos. Ruim para quase todos. Menos para os já muito ricos, que acumularam ainda mais na crise.

Mais da metade das famílias pobres são chefiadas por mulheres. Os cuidados com seus filhos e os idosos da família precisam ser divididos com a busca da renda do trabalho. Mas os preços dos alimentos, do gás e da luz não tem se comportado de acordo com as necessidades para uma vida digna.

Por isso a inflação de alimentos diz tão alto às mulheres: Lídia Correa relatou o amanhecer do dia em São Paulo pelo controle dos preços (foto acima), clamando não só as mulheres a repetir a luta de outrora, abaixo a carestia que a panela está vazia.

Segundo a vereadora, não dá para não fazer nada diante da escalada dos preços atrelados ao dólar, “não ter estoque regulador e uma política industrial e agrícola é inaceitável”.

Rosanita Campos, a seu turno, conclamou as mulheres a entender e praticar o nacional-desenvolvimentismo para o Brasil se desenvolver; e reconstruir o Estado nacional, como instrumento de políticas públicas voltadas a ampliar o acesso feminino à participação social e possibilitar a plena emancipação da mulher. Além de dobrar o salário-mínimo em quatro anos, para isso é preciso “eleger mais mulheres e derrotar Bolsonaro”, concluiu.

A deputada baiana encontrava-se em sessão parlamentar de apreciação de projetos que aumentam a proteção às mulheres vulneráveis. Mais que o necessário auxílio emergencial, “o desenvolvimento para valer precisa estar focado na qualificação e inclusão da mulher no mercado de trabalho”. Lídice também defendeu a liberação para participação política da mulher na atividade privada.

Norma resumiu a saída da crise na adoção de políticas estruturais, para além do incentivo ao consumo. Em poucas palavras, são as seguintes as medidas:

Investimentos públicos em infraestrutura e em educação, para igualar as oportunidades; reduzir as taxas de juros abusivas; recuperar os bancos públicos; política fiscal anticíclica; distribuição de renda e bens de consumo para os trabalhadores; reforma tributária progressiva; política industrial de vanguarda; e taxa de câmbio competitiva.

A noitada encerrou-se com a brilhante participação de Mocinha da Passira, pioneira feminina na arte do repente.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “As mulheres e as saídas para a crise econômica no Brasil

  1. Comandante ….

    O caso da carestia é bem simples …..

    Já que há um grupinho que apoia e frequenta a frente da embaixada RUSSA no BRASIL .. Chama o PUTIN !!!!!!

    Peça para ele aproveitar a onda e ordenar o bombardeio das cidades, maternidades, escolas, creches, hospitais, mulheres, crianças, animais domésticos, idosos ….

    Pronto …. aí nós vamos descobrir o que é CARESTIA …. CARESTIA de verdade !!!!!

    É claro que ele seria incapaz de fazer isso !!!!

    PAULO

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: