Há 95 anos nascia em Lodz uma das melhores filhas da humanidade

Santos, em 1934, com sua mãe Pola Rajnstajn

Na Polônia distante, em 1926 Hugueta Sendacz iniciava sua produtiva jornada, chegando com seus pais ao Brasil ainda antes de completar três anos de idade.

Na obra organizada por Adriana Jacobsberg – Imigração Judaica, reconstruindo a vida em São Paulo – ela é uma dos dez entrevistados.

Em homenagem à maestrina, reproduzimos trechos da entrevista de 1999, em que ela mesma relata sua chegada e estabelecimento na Cidade de São Paulo.

“Chegamos ao Brasil no dia 6 de março de 1929.

“Meus pais contavam que tinha muita propaganda na época sobre o Brasil, que o Brasil era um lugar que oferecia muita chance para quem tinha uma profissão, e meu pai tinha uma pequena oficina de bonés.

“Ele era um profissional boneteiro. Então eles resolveram emigrar para o Brasil, na época em que a situação econômica era muito difícil, no começo de 1929, acho que foi uma situação mundial, talvez, como agora mais ou menos, guardadas as devidas proporções, então eles resolveram emigrar para cá. Eu era uma criança muito pequena, sou filha única.

“Meus pais vieram direto para São Paulo, porque minha mãe tinha um irmão que tinha vindo para cá uns três meses antes. Então eles vieram direto para o Porto de Santos. Me contavam que chegaram na véspera do Shabat, e meus pais não eram religiosos, eles eram até bem avançados para a época, mas encontraram um senhor da comunidade judaica no porto, e ele estava recepcionando as pessoas que vinham e os levou também para passar a sexta-feira na pensão Brickman, e só no dia seguinte eles embarcaram no trem e chegaram na Estação da Luz. Alugaram um quarto na pensão que tinha na Rua Três Rios.

“Eles contaram que na época era justamente Carnaval… só que caíram umas chuvas muito violentas, tão violentas que até o Carnaval foi adiado, pela primeira vez na história que se adiou o Carnaval no Brasil.”

Regendo o Coral Tradição

A tempestade de 1929 não impediu Hugueta de construir toda uma vida no Brasil, em conexão com o mundo. Histórias de família, da Casa do Povo e da música que ainda estão sendo escritas. Por muitos anos, ainda.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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