A Mãe

Hugueta Sendacz (Foto: Veja São Paulo)

Trazemos em resenha de No conforto dos livros a obra-prima de Máximo Gorki, em homenagem a todas as mulheres que se empenharam em garantir bons valores a seus filhos e futuro melhor para toda a Humanidade.

Esta obra, contextualizada na Rússia do começo do século XX, inspira-se em manifestações reais do Primeiro de Maio de 1902 e no julgamento dos seus participantes. É a revolução de um povo, no seio de uma família que transforma a todos através da luta consciente pelos ideais socialistas.

A vida de operário, o fumo das fábricas, o cinzento sempre presente…o homem é o retrato da violência vivida: casam, têm filhos, enterram muitos, espancam, são espancados, morrem. E quando o serralheiro Mikhaíl Vlassov falece, restam a viúva e o filho já jovem, Pável. Uma relação quase desconhecida: não se falavam e quase não se viam…

Mãe: “Para que vivi eu? Pancadas… trabalho… não via nada a não ser o medo! Não vi como Pável crescia, nem sei se o amava quando o meu marido era vivo… não sei! Todos os meus cuidados, todos os meus pensamentos, resumiam-se a uma coisa: alimentar aquela fera (…) para que não se zangasse, não me ameaçasse com tareias (…) batia como se batesse não na mulher mas em todos aqueles a quem tinha raiva.”

Gorki leva o leitor pelo mundo da mãe, que descobriu que o filho fazia parte do grupo proibido pela sociedade do czar: os socialistas! A princípio o medo dominava-a, mas, depois esta acaba por concordar e perceber as razões daquela luta pela liberdade e igualdade, que os jovens sustentavam.

Esta adaptação vai sendo gradual: depois de descobrir os livros de Pável, a mãe alberga as reuniões secretas, ainda a medo, e acaba por dar asilo a Andrei, um dos revoltosos, com quem criou uma certa cumplicidade; mais tarde, passou a distribuir folhetos da causa e, quando o filho e Andrei foram presos, decidiu dedicar-se a essa atividade a tempo inteiro.

A vida da mãe alterou-se drasticamente. Vivendo no centro dos acontecimentos, cabem-lhe muitas tarefas importantes com as quais lida responsável e animadamente. Deixa de ser apenas a mãe e passa a desempenhar um papel ativo no grupo. Assim, Gorki estabelece um paralelismo peculiar entre o amor de mãe e o amor pela revolução.

Máximo Gorki, pseudônimo de Aleksei Maksimovich Peshkov, para além de se dedicar a atividades relacionadas com a escrita, foi também elemento de movimentos ativistas de caráter político. Foi durante os anos de exílio que escreveu este romance.

Leia mais: https://no-conforto-dos-livros.webnode.com/news/resenha-a-mae/

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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