A “esquerda” que o capital quer e a frente ampla que o Brasil precisa

A Fundação FHC trouxe o filósofo Pablo Ortellado e a matemática Tatiana Roque, ela primeira suplente da bancada federal fluminense do PSOL, para conversar* sobre o avanço conservador que se extremou com a eleição de Jair Bolsonaro e os desafios do chamado campo de esquerda no momento atual da politica brasileira.

Ortellado observou que o debate político migrou do campo econômico para os costumes, com Bolsonaro explorando os sentimentos mais retrógrados como caricatura do que seria a esquerda no Brasil. Algo tão imbecil como achar que chamar alguém de comunista seria uma espécie de xingamento. Segundo o professor, o campo progressista é elitista, mais ligado à cultura e às universidades, afastado da vida do povo.

Tatiana, por sua vez, apresentou a figura presidencial como o ápice do atraso na vida do país. Para supera-lo, explicou que uma ampla frente precisa ser construída e que a batalha não será tão fácil quanto certos setores esperam. A luta política não deve se limitar às pautas identitárias, mas conectar-se à resolução dos problemas econômicos. Sobre o seu partido, cujo destaque parlamentar veio a se confirma em 15 de Novembro, explicou a dificuldade de disputar o Poder Executivo, para exerce-lo no presente, sem perder as perspectivas de superação do capitalismo no futuro.

Tatiana Roque e Pablo Ortellado

Como unir o Brasil para superar o obscurantismo bolsonarista, perguntou Sergio Fausto, diretor da Fundação e mediador do debate?

A vice-presidente da Rede Brasileira de Renda Básica foi bem clara. A frente que precisa ser construída não pode prescindir do PT, mas o partido não está em condições de lidera-la, pela leitura errada que faz da realidade. O nome capaz de costurar todo o leque democrático é o “comunista, cristão e paraíba” Flávio Dino, governador do Maranhão.

Cabe uma observação deste ouvinte: o movimento político é guiado pelo capital; hoje, como ontem, procura escalar uma “esquerda” que lhe seja favorável, que tenha apelo popular mas não mexa nas suas rendas, ao contrário as faça crescer. Não se trata de surgir da crise uma “nova esquerda”, mas uma frente nacional-desenvolvimentista que supere a dependência e construa uma Pátria livre no Brasil.

*A conversa ocorreu antes do primeiro turno das eleições municipais. Reproduzido na Hora do Povo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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