Ajuda imergencial

O ato ou efeito de imergir apresenta-se como o antônimo de emergência, daí a licença poética do título. Se o auxílio foi estabelecido pelo Congresso Nacional em R$ 600, menos que o salário mínimo, que razão há para retardar em 30 a 90 dias o saque em dinheiro da parcela?

Nos tempos da gripezinha, eram só duzentos reais. Quando o Presidente instigou o povo a sair de casa para buscar o pão de cada dia, a Lei fixou em três parcelas de seiscentos auxílio emergencial. Mas a última delas, ainda com curva viral preocupante, foi retida para saque sob a impressionante alegação de falta de cédulas de cem para atender a fome do povo que precisa ficar em casa. De acordo com o natalício, haverá uma escala semanal de comparecimento à Caixa para retirar o benefício, que vai até setembro!

E como o governo responde à letalidade de brasileiros que teima em não recuar com o relaxamento? Pagando este mês a quarta parcela, primeira de insuficientes duas anunciadas, depois de ameaçar com uma só em três prestações? É sabido que não.

Ajuda imediata, só ao sistema financeiro. Não há também notícias de que os repasses federativos autorizados pela Lei nº 173 de 28.5.2020 já tenham chegado aos Estados e Municípios, nem de que o Banco Central tenha iniciado suas operações de fomento econômico com títulos privados. E uma ajuda financeira direta às micro e pequenas empresas, para que seus donos e empregados fiquem em casa, a exemplo do que fizeram outros países, parece nem ter passado pela cabeça da equipe ministerial.

Muito da recuperação da economia depende da conservação da vida e do moral dos cidadãos do país. Com o próprio Presidente da República doente, não parece haver fé que seja suficiente para acreditar que não perderemos mais ninguém para a necrófila política oficial, que segue seu macabro curso.

O auxílio emergencial precisa ser estendido até o fim do ano para as pessoas e chegar “para ontem” às pequenas empresas, estados e municípios de todo o país. É também primaz recolocar a Saúde Pública nas mãos dos médicos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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