Pró-Brasil ou contra ele?

520 anos após Cabral avistar o Monte Pascoal, dois setores do governo federal apresentaram suas cartas no tabuleiro pós-pandêmico. Enquanto o General Braga Netto, Chefe da Casa Civil, expunha o esboço do Programa Pró-Brasil, em outro gabinete o Secretário Especial de Desestatização Salim Mattar, vínculado à Economia de Paulo Guedes, ia no sentido oposto com seu programa de extinção do Estado nacional.

O militar apresentou como caminho para a recuperação da economia no pós-crise a liderança do Estado nos investimentos e financiamentos necessários não só a tornar novamente ascendente a curva do crescimento mas acelera-la nos anos seguintes.

Já Mattar e seu chefe procuraram alguma glória em se desfazer de 62 subsidiárias e coligadas de grandes empreendimentos públicos em 15 meses, além de se desligar de 21 outras empresas de participação estatal não controladora.

O resultado das vendas do período, em regra a desinteressados investidores anônimos estrangeiros, foram suficientes para tão somente destinar aos rentistas da dívida pública cinco meses de encargos!

Quem vai ganhar a disputa pelo nosso patrimônio ainda é incerto. Mas saber qual dos dois caminhos é o ais viável para o país exige a presença de especialistas. Em entrevista à Sérgio Cruz, da Hora do Povo, cuja leitura na íntegra é mandatória a quem de fato quer ver o Brasil crescer, Nilson Araujo de Souza* foi conclusivo:

“Em oposição ao programa de Guedes que, no seu ultraneoliberalismo doentio, pretende entregar todo o patrimônio público ao capital estrangeiro e vem arrasando a economia, a proposta do general Braga Netto tem a intenção de retomar o desenvolvimento com base na ação do Estado na economia. A nossa história é rica em lições de que a economia só cresceu quando o Estado bancou o jogo. Foi assim com Getúlio e com JK e foi assim com o II PND de Geisel.”

Prof. Nilson Araujo

*Nilson Araujo de Souza é pós-doutor em Economia pela Universidade do México, ex-secretário de Estado do Mato Grosso do Sul e prócer do Instituto Claudio Campos. Foi também orientador das teses deste autor no Banco Central do Brasil sobre o BCB e o Desenvolvimento Equilibrado do País e Capital Estrangeiro no Sistema Financeiro Nacional.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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