São Paulo não pode parar no cemitério

Os Bico de Souza são todos bons amigos de longa data. O mais jovem de seis irmãos é empresário de elevados caráter e consciência sindical.

Por todos esses motivos, e também pelo tema, assistimos ontem seu programa São Paulo Não Pode Parar, que acontece aos sábados e domingos às 19 horas.

João Bico tem uma história de luta: outrora industrial nacional de lâmpadas transferiu a produção para a China e dedicou-se à intermediação comercial da sua linha própria de produtos de iluminação. Dirigente da Associação Comercial paulistana e incentivador dos Marcos da Paz que se espalham pelo país e pelo mundo, apresentou-se duas vezes aos eleitores paulistas nos anos recentes.

Marcos da Paz, idealizados por
Gaetano Brancati Luigi

O advogado Antonio J. Ribas Paiva foi o convidado de domingo, sob o instigante tema “Intervenção militar ou AI-5”. O causídico entendeu que o antigo Ato Institucional, espécie de decreto criado em 1964 à revelia da Constituição vigente, não mais sentido faz nos dias de hoje, já que servia “apenas” para coibir o abuso de autoridades e os atos terroristas. Talvez tenha faltado consignar que a tortura, os desaparecimentos de brasileiros cujo fim até hoje não se sabe bem qual foi e mesmo simples assassinatos em via pública foram abusos não coibidos pelos governantes de então.

Sobre os aglomerados de incautos que pediam “intervenção militar”, o entrevistado fez um esforço para explicar que seria constitucional e caberia somente ao Presidente da República determinar o ato. Segundo ele, a “unidade do Estado” (sic) precisaria ser preservada em razão de os governadores, parlamentares e magistrados estarem dissonantes ao comando do Chefe do regime presidencialista. Mas, se quase todo o Estado nacional está focado em salvar vidas, o que o Presidente da República pretenderia fazer de diferente?

A razão do movimento que deu nome ao programa, por evidente, esteve em tela na transmissão ao vivo: a retomada da atividade econômica no Estado de São Paulo e, principalmente, na sua maior metrópole. Foi apresentado ao governador Dória um plano para retorno ao convívio social no trabalho com segurança sanitária, que o avanço pandêmico faz médicos e comerciantes signatários verem os prazos de modo diferente.

A limitação de tempo deixou no ar duas perguntas que fiz, as quais poderão ser comentadas futuramente por aqui ou no programa:

  1. Por que não usar parte das reservas internacionais e o trilhão liberado aos bancos para sustentar pessoas [inclusive empreendedores] em casa?
  2. Agiu com justiça Luciano Hang (proprietário da Havan) ao suspender 11 mil contratos de trabalho, após ter amealhado mais um bilhão e quatrocentos milhões de dólares em riqueza no ano passado?

As considerações finais de João Bico reafirmaram meu apreço pela sua excelente pessoa: “a vida em primeiro lugar, antes, durante e depois da crise”!

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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